Realidade virtual vira arma no tratamento de saúde

Realidade virtual vira arma no tratamento de saúde

Tecnologia já está em prática para reduzir o estresse e auxiliar pacientes durante cirurgias

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2017 | 05h00

CANNES - As ferramentas de realidade virtual – que podem ser acessadas tanto por óculos acoplados ao celular quanto por videogames – estão virando arma importante no apoio a tratamentos de saúde.

Agências, institutos de pesquisa, empresas e universidades presentes ao Lions Health, evento paralelo ao Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade –, mostraram que a tecnologia VR pode ser usada para tratamentos a doenças mentais e também no auxílio a recuperação em caso de cirurgias.

A Time Inc., empresa que publica revistas como Time, People e Entertainment Weekly, criou um braço de realidade virtual – Life VR –, que desenvolveu a Lumen. Trata-se de uma experiência criada dentro de uma plataforma de videogame, que tem o objetivo de contribuir para o relaxamento e a redução do estresse. A divisão Life VR, comandada pela executiva Mia Tramz, criou parcerias com centros de pesquisas, como o hospital da Universidade de Stanford, para a extensão do uso da Lumen.

A partir do movimento dos olhos, a Lumen permite que cada pessoa crie sua própria floresta, escolhendo, apenas com o olhar o tipo de árvore e as cores que utilizará em sua paisagem. A ideia é que, ouvindo uma música relaxante e seguindo as instruções, o usuário tenha alívio no estresse. Como se trata de um jogo “calmo”, disse Mia, a pessoa pode se dedicar à atividade pelo tempo que desejar. O app da Lumen está disponível para download gratuito.

Tratamentos. Embora a experiência Lumen tenha sido criada para o público em geral, a Universidade de Stanford já usa a ferramenta para auxiliar tratamentos. A universidade aplica o relaxamento virtual na preparação de crianças para cirurgias de alta complexidade – como casos de problemas cardíacos – e também em terapias voltadas a vítimas de queimaduras. 

No caso do trabalho com as crianças, explicou o neurocientista Walter Greenleaf, de Stanford, o objetivo é reduzir o estresse dos pacientes. Uma das experiências criadas em realidade virtual apresenta às crianças as instalações do hospital no qual elas serão operadas. 

Segundo Greenfleaf, o trabalho é feito por vários dias e envolve a família dos pacientes. O hospital fornece os equipamentos para a experiência em VR, e os pais iniciam a terapia em casa. O neurocientista disse que a realidade virtual já se mostrou também eficiente no auxílio de doenças mentais, como a bipolaridade, e também no tratamento de vícios. “Existem muitas aplicações que podem ser testadas.”

Peças publicitárias. Duas peças publicitárias que usam a tecnologia VR para fins de saúde ganharam Leões de Ouro no festival Lions Health. Uma veio do Brasil: a Ogilvy desenvolveu um avatar virtual para o público infantil. A ideia é que os pequenos se distraiam com o conteúdo em realidade virtual enquanto tomam vacinas. A campanha foi desenvolvida para o laboratório mineiro Hermes Pardini.

Outra campanha, vinda da China, usa a inteligência artificial para auxiliar pacientes com Alzheimer. Batizada “Know You Again” (“Conhecer-te novamente”), a ação foi desenvolvida para o buscador Baidu. Os óculos inteligentes são equipados com tecnologia de reconhecimento facial e de voz. Um pequeno alto-falante “explica” ao idoso quem é a pessoa com a qual ela está falando.

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