Recessão de dois anos no Brasil, prevê a OCDE

Em 2015, enquanto a economia global deverá crescer 3%, o Brasil terá uma queda de 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Panorama Econômico da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado há dias. Em 2016, esses porcentuais deverão ser de 3,3% e de -0,7%. Os números são piores que os de 2014. Para o País, as perspectivas são, no mínimo, desanimadoras.

O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2015 | 02h55

Em 2014, para um crescimento global de 3,3%, o Brasil cresceu apenas 0,2%. As projeções ora divulgadas para 2015 mostram uma piora em relação à projeção anterior, divulgada em junho: o crescimento global estimado caiu de 3,1% para 3% e o do Brasil, de -0,8% para -2,8%. É um indicador do custo da chamada nova política macroeconômica do primeiro mandato de Dilma Rousseff, cujos efeitos continuam presentes neste ano.

A situação econômica do País é vista com apreensão no exterior, como se viu em encontro de investidores privados em Nova York, reportado pelo Estado de 18/9. Executivos de grandes instituições financeiras descreveram a situação da economia brasileira como “caótica” e “extremamente complicada”.

Não apenas para o Brasil, mas para os países emergentes em geral, os tempos já não são tão favoráveis, com exceções, como a Índia. O Brasil está entre as economias emergentes, como a Rússia, que passam por “profundas recessões combinadas com uma inflação bastante alta”, segundo a OCDE. Em 2016, a situação poderá ser menos ruim, mas isso só ocorrerá se os preços das commodities não caírem mais.

Entre os países e regiões com melhor prognóstico estão os Estados Unidos e a zona do euro, com taxas de crescimento estimadas em 2,4% e 1,6%, em 2015; e em 2,6% e 1,9% em 2016. Mas a União Europeia poderia crescer mais se aproveitasse melhor vantagens como a depreciação do euro e a queda de preço das commodities. Entre os fatores de vulnerabilidade estão a fragilidade do sistema bancário e a baixa contábil insuficiente de empréstimos em atraso.

A manutenção das taxas do Fed, anunciada em 17/9, removeu um fator de incerteza de curto prazo sobre a economia.

Mas o principal risco à recuperação econômica, segundo a OCDE, é “a ocorrência de uma desaceleração maior que a prevista na China”. O crescimento chinês previsto pelo organismo deverá cair de 7,4%, em 2014, para 6,7%, neste ano, e para 6,5%, em 2016.

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