TV Estadão | 27.08.2015
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Recuperação do grau de investimento demora em média 7,2 anos, diz Itaú Unibanco

Segundo estudo do banco, os principais indicadores que influenciam nesse tempo são a razão dívida/PIB, a taxa de poupança e o nível de inflação do país

Álvaro Campos, O Estado de S. Paulo

18 Setembro 2015 | 15h14

SÃO PAULO - Quando um país perde o grau de investimento - como aconteceu com o Brasil no último dia 9 ao ser rebaixado pela S&P -, o tempo médio para recuperar o selo de bom pagador é de 7,2 anos, segundo um estudo do Itaú Unibanco. Os principais indicadores que influenciam nesse tempo são a razão dívida/PIB, a taxa de poupança e o nível de inflação.

O estudo analisou os casos da Coreia do Sul, Indonésia, Eslováquia, Colômbia, Uruguai e Romênia, e aponta que existem dois padrões: o grupo 1, dos países que levam menos tempo para recuperar o grau de investimento (três anos), e o grupo 2, daqueles que demoram mais (dez anos).

Enquanto as taxas de crescimento nos anos subsequentes ao rebaixamento são parecidas nos dois grupos, uma diferença fundamental é a dívida bruta. Após o rebaixamento, todos os países analisados implementaram medidas de ajustes fiscal. Porém, aqueles que já tinham uma dívida mais baixa promoveram um processo de austeridade mais lento e menos intenso, suficiente basicamente para estabilizar a razão dívida/PIB.

O grupo dos que demoraram mais para reconquistar o grau de investimento tinha uma dívida bruta média de cerca de 70% do PIB no ano do rebaixamento, nível próximo ao do Brasil atualmente (63%). Nesse grupo, o ajuste fiscal foi mais rápido e intenso. "Esses países passaram de um déficit primário no ano do rebaixamento para um superávit logo no ano seguinte. A dívida bruta, nesse caso, aumentou em termos porcentuais do PIB no ano seguinte ao rebaixamento, mas foi recuando ao longo do tempo", aponta o estudo, assinado pela economista Julia Gottlieb.

Outra diferença nos dois grupos é a taxa de poupança. Os países que recuperaram o grau de investimento mais rapidamente tinham taxas de poupança mais elevadas (acima de 25% do PIB) do que aqueles classificados como grau especulativo por mais tempo (uma média perto de 15% no momento do corte da nota). Já no âmbito da inflação, o ritmo médio de alta nos preços no grupo 1 era de 5%, enquanto no grupo 2 era de 10%. Nos dois grupos houve reversão rápida do déficit em conte corrente para um superávit.

"O ajuste nas contas públicas e externas bem como o controle da inflação foram cruciais para a recuperação da confiança dos investidores, do investimento, do crescimento e, consequentemente, do grau de investimento nesses países", aponta o relatório do Itaú.

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