Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Recuperação pode levar 2 anos, diz presidente da Gol

Empresas aéreas deverão cortar voos e elevar tarifas para se ajustar a custos mais elevados com a alta do dólar e à redução de demanda

Victor Aguiar, Agência Estado

18 Setembro 2015 | 05h00

As companhias aéreas poderão levar "de um a dois anos" para se recuperar do prejuízo que sentem diante do choque de custos provocado pela alta do dólar, afirmou ontem o presidente da Gol, Paulo Kakinoff. Segundo ele, as empresas terão de fazer ajustes para se adequar ao novo cenário econômico, com corte de voos e aumento de tarifas.

As empresas aéreas têm cerca de metade de seus custos cotados em dólar, como querosene de aviação, manutenção e leasing de aeronaves. Nos últimos 18 meses, a moeda americana se valorizou cerca de 60% em relação ao real. "Cerca de 50% dos custos aumentaram 60% por causa da variação cambial. Isso dá uma boa ideia de como esse momento de instabilidade afeta o setor", disse Kakinoff, em evento com jornalistas.

O novo cenário levará as companhias a tomar medidas para recuperar a rentabilidade, como a redução da oferta de voos para acomodar uma demanda menor, disse Kakinoff. "(Na crise) A demanda cai, menos passageiros voam e menos voos são necessários", explicou. Segundo o presidente da Gol, a faixa de um a dois anos para a recuperação do setor em função do aumento de custos corresponde ao período necessário para a racionalização dos voos.

O executivo ainda destacou que o aumento nos custos para a companhia inevitavelmente deve ser repassado no preço das passagens aéreas, mas afirmou que não é possível determinar a maneira como esse repasse será feito. "Como não é possível prever o que vai acontecer com o câmbio, não posso precisar quando, como e em quanto esse impacto de custo vai ser transferido para a tarifa", disse.

Medidas. A Gol já revisou suas projeções para variação na oferta de voos este ano. A companhia espera colocar à venda um número de passagens entre 1% e 1,5% menor do que no ano passado. A companhia fará o corte por meio de redução de frequências, mas não pretende deixar de voar para nenhuma cidade. Medida semelhante também foi tomada pela TAM, que anunciou um corte de até 10% na oferta de voos nacionais, com manutenção de todos os destinos atendidos.

O gerente de planejamento de malha da Gol, Rafael Araújo, afirmou que a adequação na oferta de voos da empresa não atingirá uma região específica, sendo realizada de maneira pulverizada.

"A redução que vamos fazer neste ano vai ser muito focada em algumas rotas em que a gente sentiu um pouco dos efeitos do que aconteceu nos últimos meses no Brasil", disse Araújo, durante evento com jornalistas. A empresa sentiu uma retração forte em algumas rotas corporativas, em função da desaceleração econômica.

Outro movimento recente da Gol foi reforçar o caixa da companhia para enfrentar o período de turbulência. Os acionistas da empresa se comprometeram a aportar US$ 146 milhões na Gol - sendo US$ 90 milhões do fundo Volutto, que reúne os negócios da família Constantino, e US$ 56 milhões da companhia aérea americana Delta Airlines, acionista minoritária da Gol. Com a operação, a participação da Delta no capital social total da Gol passou de 2,93% para 9,48%. A companhia também contratou empréstimo de US$ 300 milhões pelo banco Morgan Stanley em agosto. A Delta é uma das garantidoras do financiamento, e a Gol ofereceu ações da Smiles como contragarantia para que empresa norte-americana fornecesse seu aval para a operação./Colaborou Renato Carvalho

 

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