Paulo Pinto/Estadão
Paulo Pinto/Estadão

Redução de programas sociais afeta consumo no Norte e no Nordeste, avalia CNC

Economista aponta que quedas mais acentuadas na intenção de consumo das famílias nessas regiões são reflexos do ajuste fiscal e do enxugamento de programas como o Minha Casa Melhor

Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

22 Setembro 2015 | 14h40

RIO - O ajuste fiscal do governo federal e o enxugamento de programas sociais já se reflete em uma menor confiança do consumidor nas regiões Norte e Nordeste, avalia a assessora econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Juliana Serapio. Em setembro, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) recuou 2,4% no País ante o mês anterior, mas a análise regional revela quedas mais acentuadas no Norte e no Nordeste: de 4,8% e 3,4%, respectivamente.

"Há um enfraquecimento pronunciado da intenção de consumo nessas regiões, onde programas de benefícios do governo federal estão sendo enxugados ou extintos como efeito do ajuste fiscal", diz a economista, mencionando a suspensão em março do Minha Casa Melhor - que facilita as compras de móveis e eletrodomésticos - e a maior dificuldade no acesso ao Bolsa Família.

Ao lado do Sudeste, a Região Norte foi a que mostrou também menor nível de confiança em relação a situação do componente Emprego Atual. O índice regional no Norte, entretanto, ainda está acima de 100 pontos - abaixo desse limite, revela-se uma percepção de insatisfação.  

Pelos dados divulgados na manhã desta terça-feira, 22, pela CNC, o ICF recuou 34,5% na comparação com setembro do ano passado. O indicador já acumula oito quedas seguidas e está no pior patamar desde o início da série histórica, em 2010. Juliana destaca que as compras de bens duráveis, mais dependentes do crédito, são as mais atingidas. Em relação a 2014, o componente mostrou recuo de 51,8%.

A CNC destaca que a taxa de juros para o consumidor, representada pela taxa média de juros das operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas e divulgada pelo Banco Central, está em um patamar muito elevado: 59,46% ao ano na última divulgação, em julho, maior valor da série até o momento. "Os juros continuam muito altos para o consumidor, por isso mesmo com a inflação mais baixa em agosto ele teve que segurar o consumo e preservar seu orçamento", diz.

Com a corrosão do poder de compra pela alta de preços, Juliana destaca que o crédito já está sendo usado para financiar a aquisição de bens não duráveis, como as compras de mês nos supermercados. Isso reduz ainda mais o espaço para compras de duráveis.

A economista diz que a disparada do dólar preocupa porque pode se traduzir em repasses aos preços e trazer mais desânimo ao consumidor. Diante disso, a intenção de consumo das famílias deve continuar se deteriorando. "A perspectiva ainda é de inflação crescente, o que não dá espaço para a redução da taxa básica de juros (Selic). Não há nada que sinalize a reversão desse quadro", diz.

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