Região do Brás abre a temporada de liquidações

Embalados pelas vendas dos primeiros dias de dezembro, consideradas boas, os lojistas do Brás capricharam nos estoques para o Natal. As vendas não mantiveram os mesmos níveis e o resultado foi um encalhe de quase 10%, que começou a ser desovado ontem na liquidação organizada pela Associação dos Comerciantes do Brás (ACB). Segundo Walter Zucolin, 55 anos, presidente da entidade, metade dos cinco mil comerciantes da região aderiu à liquidação, a primeira feita por eles em grande escala. "O custo do estoque é muito alto por causa dos juros. É melhor liquidar mercadoria e pagar logo os fornecedores do que não conseguir recuperar o investimento". Os descontos estão entre 20% e 50% e a grande maioria das lojas tem ofertas, mesmo que não tenha entrado com tudo na liquidação. Jô Duailib, de 48 anos, dono de uma loja de artigos para bebê, diz que reduziu os preços em 20% desde o dia 22 de dezembro. "Ao contrário dos shoppings, nosso maior movimento é no atacado, que nunca vem comprar de véspera. Como trabalho com margem de 20%, estou praticamente vendendo a preço de custo. Os primeiros dias de janeiro são dias de pagamento e prefiro ter o dinheiro em caixa do que ter de recorrer a bancos". Sandra Pereira, 30 anos, veio de Cuiabá (MT) há quatro anos para montar um box de venda de roupas infantis no Brás. Ela diz que não tem muita margem de manobra, porque um shopping cobra R$ 60 por uma roupa que ela vende por R$ 20. Mesmo assim, está dando descontos em vestidos de festas, de medo que encalhem nas prateleiras. "Há vestidos de R$ 15 que estou deixando por R$ 10".

Agencia Estado,

27 Dezembro 2001 | 16h17

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