Remessa de lucros das múltis despenca

Um aspecto geralmente pouco salientado das contas externas é o impacto que a desaceleração da economia e a desvalorização do real diante do dólar vêm tendo sobre a lucratividade das empresas estrangeiras que operam no País. Segundo os últimos números do Banco Central (BC), o item lucros e dividendos, excetuados reinvestimentos, apresentou saldo negativo de US$ 6,674 bilhões de janeiro a julho deste ano, em comparação com US$ 9,691 bilhões no mesmo período do ano passado. A queda de 31,13% superou as estimativas mais pessimistas.

O Estado de S. Paulo

04 Setembro 2015 | 03h00

O valor em si, que dá origem a menos remessas de divisas, pode ser considerado um dado positivo sob o ponto de vista estrito do déficit em transações correntes do balanço de pagamentos, ao contribuir para reduzir o saldo negativo da conta de serviços. Não deixa, porém, de ser um reflexo de uma situação de crise em alguns setores, notadamente da indústria automotiva. 

Além disso, é preciso considerar que a diminuição da lucratividade de empresas estrangeiras no mercado interno prejudica a imagem do País e já vem influenciando o ingresso de investimentos diretos do exterior, que, nos primeiros sete meses de 2015, foi de US$ 12,730 bilhões, ou 30,11% menos que no mesmo período do ano anterior (US$ 18,216 bilhões).

Como a perspectiva de continuidade da retração, parece otimista a previsão do BC de que os investimentos diretos no País alcancem US$ 25 bilhões ao fim deste ano, mantendo-se nas proximidades do resultado de 2014 (US$ 26,042 bilhões). Nota-se também que vêm caindo os lucros reinvestidos de multinacionais. De janeiro a julho do ano passado, os reinvestimentos atingiram US$ 2,048 bilhões, enquanto em igual período deste ano não passaram de US$ 563 milhões.

Dada a morosidade da ação do governo e a falta de diretrizes administrativas confiáveis, é duvidoso que o total de investimentos externos venha a elevar-se apreciavelmente nos próximos meses, mesmo que estimulados por leilões de empreendimentos em infraestrutura em datas ainda a definir.

Chama a atenção, ainda, o fato de que os negócios de empresas brasileiras que investiram no exterior vêm apresentando melhores resultados. Enquanto nos primeiros sete meses de 2014 essas empresas remeteram para o País US$ 862 milhões, o total já chega a US$ 1,288 bilhão no mesmo período de 2015, um aumento de 49,41%.

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