Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Representantes de servidores preveem baixa adesão ao PDV do governo

Avaliação da Confederação Nacional dos Servidores Públicos é que o elevado nível de desemprego do País deve desencorajar a adesão ao programa

Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

25 Julho 2017 | 20h45

BRASÍLIA - Em meio à crise econômica e com o desemprego ainda elevado no País, o governo dificilmente conseguirá obter a adesão de 5 mil servidores ao Programa de Desligamento Voluntário (PDV), avalia o presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP), Antonio Tuccilio. "O governo pode tirar o cavalinho da chuva, porque esses 5 mil não vão acontecer", disse.

A avaliação da CNSP é de que o elevado nível de desemprego hoje no País deve ser um fator a desencorajar a adesão. "A crise hoje é muito grande, o servidor não vai querer receber uma coisinha boa hoje para ter um problema amanhã, quando ficar desempregado", afirmou Tuccilio.

Segundo ele, o pagamento de 1,25 salário por ano trabalhado não será suficiente como barganha ante o risco de depois a pessoa ficar sem remuneração. "São alguns meses com dinheirinho na mão e depois acaba", afirmou o presidente da Confederação.

No Ministério da Fazenda, a proposta do PDV não foi bem recebida e a avaliação interna é de que ninguém vai querer aderir ao programa abrindo mão da aposentadoria integral a que têm direito os servidores que ingressaram até 2013. O benefício permite receber aposentadoria acima do teto do INSS (hoje em R$ 5.531,31).

Entre auditores fiscais da Receita Federal, a adesão deve ser baixa, caso a categoria seja incluída entre as que podem pedir para participar. "Os atrativos não compensam para que as pessoas se sintam incentivadas", afirmou o presidente do Sindifisco, Claudio Damasceno.

No caso da redução da jornada, a avaliação de técnicos do governo é de que há mais potencial do que com o PDV, uma vez que o interesse entre os servidores deve ser maior. Por essa medida, o funcionário público deixaria de trabalhar oito horas diárias para atuar por seis ou quatro horas a cada dia, com redução proporcional de salário. Como incentivo, receberia meia hora adicional por dia em sua remuneração.

A CNSP também prevê que a redução da jornada pode ter mais sucesso do que o PDV, mas "não um sucesso estrondoso". Segundo o presidente da entidade, essa modalidade preserva a segurança e a estabilidade do servidor, hoje o ativo mais valioso em meio aos mais de 14 milhões de desempregados no País.

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