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Economia

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Resultado incerto faz Petrobrás adiar PLR

Estatal, tradicionalmente, antecipa participação no lucro em janeiro, mas diretoria não acha medida prudente antes de fechar o balanço de 2015

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Fernanda Nunes,
O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2016 | 22h26

RIO - Os trabalhadores da Petrobrás receberam indicação da empresa de que o resultado financeiro do último trimestre do ano passado vai comprometer o ganho acumulado nos primeiros nove meses. A informação foi passada durante reunião de sindicalistas com técnicos da área de Recursos Humanos da petroleira, na última segunda-feira, para tratar de benefícios trabalhistas e possíveis cortes de salários por causa da greve no fim do ano passado.

Todo ano, a Petrobrás antecipa em janeiro o pagamento da participação no lucro (PLR), mas, desta vez, diante da incerteza sobre o resultado financeiro de 2015, decidiu agir diferente. Em comunicado divulgado no site da Federação Única dos Petroleiros (FUP), os sindicalistas afirmam que o “RH (área de recursos humanos) informou que a diretoria da empresa não considera prudente atender a essa demanda (antecipação do PLR) antes do fechamento do balanço de 2015”. O argumento é que o resultado do quarto trimestre tende a reduzir os ganhos registrados até setembro.

Segundo a FUP, “há receio de que o resultado do quarto trimestre possa causar impacto negativo no lucro de R$ 2,1 bilhões acumulados nos três primeiros trimestres”. José Maria Rangel, coordenador da federação, que participou da reunião, diz que a empresa considera a possibilidade de o desempenho da Petrobrás ter sido afetado pelo cenário adverso de baixos preços do petróleo.

Já a Federação Nacional dos Petroleiros, que também representa os petroleiros e esteve reunida com o RH da Petrobrás, informou, em nota publicada em seu site, ter recebido a informação da empresa de que o lucro de 2015 vai ser baixo.

Se atendesse ao pedido de adiantamento da participação no lucro e o resultado do quarto trimestre pesasse negativamente nas finanças, como é esperado, os empregados seriam obrigados, mais tarde, a devolver dinheiro à empresa, pois o cálculo do adiantamento é baseado no resultado dos primeiros nove meses, que deve ser maior do que o do fechamento do ano. Como compensação à negativa da empresa, a FUP pede o adiantamento da primeira parcela do décimo terceiro salário, como foi feito no ano passado.

Corte de custo. Além do adiantamento do PLR, os empregados reivindicam a retomada de uma série de benefícios e tentam evitar que os dias de greve, ocorrida no fim do ano passado, sejam descontados. A Petrobrás está disposta apenas a parcelar o corte de fevereiro a maio. No comunicado, a FUP acusa a empresa de intransigência. “Os gestores preferiram apostar no confronto, que custou aos cofres da empresa cerca de R$ 300 milhões”, diz o texto.

Todo esforço da Petrobrás é para cortar custos internos, o que deve ser refletido no enxugamento dos benefícios dos funcionários. Inicialmente, a previsão era reduzir os gastos operacionais em US$ 8 bilhões, de 2015 a 2016. Esse montante, no entanto, foi considerado insuficiente, o que levou a diretoria a avaliar ainda mais cortes.

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