Paulo Vitor/Estadão
Paulo Vitor/Estadão

Retomada da economia não depende apenas do BNDES

Economistas apoiam as iniciativas do presidente do BNDES, mas lembram que mercado precisa acompanhar movimento

Alexa Salomão e Mariana Sallowicz, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2017 | 05h00

A iniciativa de destravar os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), anunciada por seu presidente, Paulo Rabello de Castro, foi considerada muito bem-vinda por economistas. Parte da dificuldade de a economia reagir, segundo especialistas, está justamente na carência de crédito, em particular do financiamento voltado a obras de infraestrutura, que sempre tiveram particular dependência da instituição.

O BNDES faz falta, explica o economista José Roberto Afonso, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) e professor do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). Ele diz que o crédito do BNDES recua, em termos reais, desde meados de 2014, mas lembra que, junto, caiu o crédito dos demais banco.

Afonso reforça que o movimento do BNDES, para ter um efeito robusto, deveria ser acompanhado pelo mercado. “Para sair da recessão, é necessário retomar o crédito não apenas do BNDES, mas também do resto do sistema bancário, bem como do mercado de capitais e financeiro. Seria muito bom se todos trabalhassem juntos, como é comum no resto do mundo, sobretudo em economias avançadas e liberais, onde o banco de desenvolvimento, ainda que seja estatal, atua em parceria e caráter complementar às demais instituições, inclusive privadas”, diz ele.

Juros. Também tende a ser bem recebida a permanência da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) nos financiamentos da instituição. A troca da TJLP pela Taxa de Longo Prazo (TLP) está em debate no Congresso e Rabello de Castro defende a sua permanência.

A mudança de taxa foi criticada em evento da associação de funcionários do banco, a AFBNDES. O encontro, ontem, no Rio, reuniu economistas como Felipe Rezende, professor assistente do departamento de Economia do Hobart e William Smith Colleges, de Genebra.

“Essa medida coloca mais volatilidade dentro da avaliação de risco (dos projetos) com impacto severo sobre os investimentos novos”, disse. Segundo ele, o País está fazendo o inverso do que ocorre no mundo, que tenta controlar as juros de longo prazo, e não liberá-los. 

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