Retomada mais firme do consumo de aço em bruto

No acumulado de janeiro a julho, o consumo aparente também cresceu

O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2017 | 03h00

Em vista da fase de dificuldades que o setor industrial ainda atravessa, é admirável que, de janeiro a julho, a produção nacional de aço em bruto tenha alcançado 19,6 milhões de toneladas, um crescimento de 10,6% em relação ao mesmo período de 2016, segundo o Instituto Aço Brasil. Mas, como adverte a entidade, essa taxa de crescimento é superestimada, já que a base de comparação é muito baixa, pois não contabilizou integralmente a produção da Siderúrgica de Pecém, que somente entrou em produção plena em outubro de 2016.

À medida que o ano for avançando, a comparação mensal com 2016 deverá mostrar taxas mais modestas. Seja como for, a indústria siderúrgica dá sinais de que está consolidando uma retomada firme. Em julho, o consumo aparente de produtos siderúrgicos (produção local mais importações) alcançou 1,6 milhão de toneladas, 9% a mais do que o registrado no mesmo mês de 2016, sendo as vendas internas de 1,4 milhão de toneladas, apresentando crescimento de 3,2%.

No acumulado de janeiro a julho, o consumo aparente também cresceu – 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Observa-se, porém, que as vendas internas (9,5 milhões de toneladas) caíram 1,3%. A questão é saber se as vendas pelas siderúrgicas nacionais no mercado interno podem continuar subindo no restante do segundo semestre, de modo a exibir resultado positivo no fim do ano.

É elevada a participação da importação de produtos siderúrgicos. No acumulado até julho, as importações cresceram 66,5%, totalizando 1,4 milhão de toneladas. Em julho, as importações aumentaram ainda mais – 83,8% em relação a julho de 2016, chegando a 294 mil toneladas.

Isso, naturalmente, reduz o mercado das siderúrgicas nacionais, que devem intensificar esforços para obter maiores ganhos de produtividade, de modo a poder competir em melhores condições. Reforçar o arsenal protecionista ou pleitear mais benefícios fiscais por parte dos governos não é a solução.

Na realidade, o que se constata é que, graças principalmente à Siderúrgica de Pecém, que é voltada para o mercado externo, o Brasil tem exportado bem mais produtos de aço que importa. De janeiro a julho, as exportações brasileiras foram de 8,4 milhões de toneladas, com crescimento de 10,4% em volume e 44,1% em valor, carreando R$ 4,3 bilhões em divisas.

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