Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Reunião sobre planos econômicos termina sem acordo entre bancos e poupadores

Caso um acordo não seja fechado, restará ao Supremo Tribunal Federal (STF) julgar a questão, que se arrasta há décadas por várias instâncias da Justiça brasileira

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2017 | 16h41

BRASÍLIA - Terminou sem acordo a reunião de desta terça-feira, 31, entre representantes de poupadores e bancos a respeito do ressarcimento das perdas provocadas pelos planos econômicos das décadas de 1980 e 1990. As partes, reunidas na Advocacia Geral da União (AGU), em Brasília, não chegaram a um acordo a respeito dos valores a serem pagos aos poupadores, conforme fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast que acompanham as discussões.

No encontro, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) apresentou sua proposta. Os representantes dos poupadores, por sua vez, já haviam apresentado seus números em encontros anteriores. A proposta era de desconto de 15% a 20% sobre os montantes devidos pelos bancos, dependendo da categoria em que a ação está enquadrada. Este parâmetro tem como referência acordos menores fechados pelos próprios bancos na Justiça, nos últimos anos.

Duas fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast disseram que o principal motivo para o impasse hoje foi a distância entre o que querem os poupadores e o que foi apresentado pelos bancos. "Foi um balde de água fria", resumiu uma delas, para quem diminuíram as chances de um acordo ser fechado.

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Foi acertado que as partes apresentarão contrapropostas em relação aos valores. Conforme uma fonte, a advogada geral da União, ministra Grace Mendonça, que tem intermediado as conversas, pediu que as partes "refletissem" em relação aos números e voltassem a conversar. Um novo encontro foi marcado para terça-feira, 7.

Um dos pontos do possível acordo, no entanto, já está fechado: o escalonamento do pagamento. A intenção é estabelecer um cronograma de pagamentos em parcelas, de acordo com o montante a ser recebido pelo poupador.

No geral, a reunião terminou com os participantes mais pessimistas em relação a um desfecho. Na semana passada, o discurso era de um acordo estaria próximo - algo que, agora, parece estar mais distante. Se um acordo não for fechado, restará ao Supremo Tribunal Federal (STF) julgar a questão, que se arrasta há décadas por várias instâncias da Justiça brasileira.

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Desde o ano passado, a AGU vem intermediando as conversas entre os representantes de poupadores e bancos. À frente das conversas está Grace Mendonça. Essas ações reivindicam o pagamento das perdas referentes aos planos Cruzado, Bresser, Verão, Collor I e Collor II, das décadas de 1980 e 1990. As partes envolvidas na negociação têm evitado estimar um total para o acordo, justamente porque o valor dependerá do desconto a ser aplicado. No início de setembro, falava-se em algo entre R$ 8 bilhões e R$ 16 bilhões

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