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Rio Grande sofre efeitos da seca e reservatórios ficam em níveis críticos

Rene Moreira - Especial para O Estado

01 Setembro 2014 | 16h 45

Em Furnas, uma das principais usinas do País, volume de água caiu mais da metade no período de apenas um ano

Rene Moreira/Estadão
Furnas tem hoje em seu reservatório menos da metade da água que tinha um ano atrás

FRANCA - O Rio Grande, manancial que nasce em Minas Gerais e banha também o Estado de São Paulo, tem sofrido os efeitos da seca, o que tem reduzido o nível de reservatórios importantes no País. Usinas hidrelétricas que se servem de suas águas, como Furnas - uma das principais do País - tem hoje em seu reservatório menos da metade da água que tinha um ano atrás.

A usina iniciou setembro do ano passado operando com 60,61% de sua capacidade, índice que já era considerado baixo para o período. Porém, um ano depois, este porcentual despencou em uma velocidade ainda mais rápida e, hoje, Furnas tem seu reservatório funcionando com somente 27,55% de sua capacidade.

O que se vê ao longo do Rio Grande é pouca água e outras usinas em situação ainda mais crítica. Marimbondo, que há um ano estava com 66,7% de sua capacidade, hoje marca apenas 11,73%. Já a Usina de Água Vermelha, que iniciou setembro de 2013 com 69,09%, agora tem 15,04%. A medição é feita pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), que, para evitar um colapso, costuma dividir a água dos reservatórios, liberando os mais cheios para abastecer os mais vazios.

O baixo nível das represas se deve à seca recorde registrada na região na Região Sudeste, onde no geral as usinas operam atualmente com 30,27% da capacidade. Somente as hidrelétricas do Rio Grande respondem por 25,73% da energia produzida nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Peixes. Se o setor energético sente a falta de chuva, os pescadores são ainda mais penalizados. No Lago de Furnas, na região de Alfenas, de quase 200 pessoas que viviam da pesca, hoje são pouco mais de 50. O motivo é a estiagem que reduziu as margens da represa e acabou com muitos tanques de criação de peixes.

De acordo com a associação do setor, será preciso que o lago fique bem mais cheio para que a atividade possa ser retomada. Isso porque, com a represa baixa, criar peixe virou uma atividade de risco, já que com a seca persistindo é preciso mudar os tanques de local com frequência, o que aumenta os custos.