SERGIO CASTRO/ESTADÃO
SERGIO CASTRO/ESTADÃO

Rombo nas contas externas soma US$ 2,5 bilhões em agosto

No ano até o mês passado, o rombo nas contas externas é de US$ 46,1 bi; Investimentos Diretos no País no mês passado foram de US$ 5,2 bi, superando as expectativas

Célia Froufe e Victor Martins, O Estado de S. Paulo

22 Setembro 2015 | 11h23

Atualizado às 12h31

BRASÍLIA - Após um déficit de US$ 6,163 bilhões em julho, o rombo das transações correntes somou US$ 2,487 bilhões em agosto. A projeção do Banco Central para a conta corrente do mês passado era de um saldo negativo de US$ 4 bilhões. 

Vale lembrar que os números levam em conta a nova metodologia do BC para as estatísticas de Setor Externo. Com as mudanças adotadas pela instituição, a série histórica foi reduzida e há dados disponíveis somente a partir de janeiro de 2014. Anteriormente, as informações iam até 1947.

O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas de 22 participantes do levantamento realizado pela Agência Estado, negativa em US$ 3,250 bilhões. O intervalo obtido era de déficit de US$ 6 bilhões a US$ 2,5 bilhões.

A balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 2,509 bilhões em agosto, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 2,645 bilhões. A conta de renda primária também ficou deficitária em US$ 2,570 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou no vermelho em US$ 2,102 bilhões. 

No ano até o mês passado, o rombo nas contas externas soma US$ 46,148 bilhões. No acumulado dos últimos 12 meses até agosto deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 84,497 bilhões, o que representa 4,34% do Produto Interno Bruto (PIB).

Investimento. Os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 5,246 bilhões em agosto, segundo o BC. Com isso, o resultado é mais do que o dobro do necessário para cobrir o rombo de US$ 2,487 bilhões verificado no mês. 

Pelos cálculos do Banco Central, o IDP de maio ficaria em US$ 3 bilhões. A estimativa da autarquia foi feita com base nos números até 21 de agosto, quando o País havia recebido US$ 1,8 bilhão em recursos externos.

Em abril, o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, enfatizou que, com a nova metodologia, houve uma profunda alteração nas estatísticas dessa conta por causa da alteração de conceito relativo a empréstimos intercompanhias. O IDP também deve ser mais volátil do que o antigo Investimento Estrangeiro Direto (IED), de acordo com o técnico. 

Nos primeiros oito meses de 2015, o ingresso de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo soma US$ 42,169 bilhões. No acumulado dos últimos 12 meses até agosto deste ano, o saldo de investimento estrangeiro ficou em US$ 73,632 bilhões, o que representa 3,78% do Produto Interno Bruto (PIB).

Maciel afirmou hoje que há uma tendência de despesas menores com remessa de lucros e dividendos. Ele observou que na comparação entre agosto e igual mês do ano passado, houve recuo de 39%, passando de US$ 19,2 bilhões em 2014 para US$ 11,7 bilhões. Segundo Maciel, esse recuo reflete uma desaceleração tanto nas remessas associadas ao Investimento Direto no País (IDP) quanto no investimento em carteira.

A parcial para a remessas de lucros e dividendos, até 18 de setembro, é de saída de US$ 466 milhões. Para despesa de juros, a parcial está negativa em US$ 436 milhões. 

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