Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Rumores de que JBS teria comprado dólar circulam no mercado

JBS teria contatado os bancos para pedir limite para comprar dólar nas últimas semana; BC não comenta

Silvana Rocha, Aline Bronzati, Sonia Racy, Cristina Canas, Camila Turtelli e Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

18 Maio 2017 | 13h13

SÃO PAULO - Entre os rumores que circulam nas mesas de operação de câmbio está o de que a JBS teria comprado entre US$ 750 milhões e US$ 1 bilhão no mercado futuro ontem, após o fechamento do mercado à vista, conforme apurou o Broadcast, notícias em tempo real do Grupo Estado. A empresa, pivô da crise que envolve o governo de Michel Temer, é um grande player desse mercado. Operações desta magnitude são normais, mas chamou a atenção o fato de um volume grande se concentrar num horário de pouca liquidez. Além disso, os comentários apontam que essa não foi a única operação volumosa da empresa nos últimos dias.

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A JBS teria contatado os bancos para pedir limite para comprar dólar nas últimas semanas e a percepção é de que movimentou bilhões recentemente. "A empresa fez hedge de todo o seu patrimônio líquido", informa uma das fontes na condição de anonimato. "A empresa refez todo o seu hedge", afirma outra fonte. Contatada pela reportagem do Broadcast, a JBS informou que não vai comentar.

"Em geral, uma operação grande no fim do dia só acontece quando um player tem algo excepcional e sempre atiça a curiosidade do mercado", diz um operador experiente, que passou por todas as crises internacionais das décadas de 90 e pelo colapso financeiro da década passada, trabalhando em instituições importantes.

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De acordo com outros profissionais de corretoras, "o frigorífico raspou os dólares que havia no mercado ontem" e tem sido fortemente atuante nos últimos pregões. A percepção dos profissionais do mercado é de que o volume foi forte durante todo o dia de ontem, intensificando-se ainda mais no fim da sessão estendida de câmbio, o que ajuda a ampliar os comentários. O pregão estendido do futuro encerra as operações às 18 horas.

O Banco Central afirmou que "não comenta casos específicos que podem envolver regulados". O BC ressaltou ainda que, "no âmbito de suas competências legais, o Banco Central apura informações recebidas de várias fontes, com vistas a eventual abertura de processo punitivo".

Na manhã de hoje, o mercado de câmbio está nervoso, e opera de olho principalmente nos leilões do BC. O dólar à vista já bateu máxima de R$ 3,4073 (8,72%) e o dólar futuro para junho, chegou a R$ 3,4175 (+8,61%). Nessa quarta-feira, quando teria havido a maior operação da JBS, segundo comenta o mercado, a cotação do dólar futuro para junho ampliou a alta de 1,19%, aos R$ 3,1445 registrados às 17h15 para +1,26%, aos R$ 3,1465 no fechamento da sessão estendida.

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O giro financeiro de ontem, no entanto, é o que mais desperta os comentários. O volume pulou de R$ 20,799 bilhões entre cerca de 17 horas para US$ 21,601 bilhões no fechamento. Valores bem acima dos últimos pregões. Nos últimos dias, as quantias têm ficado entre US$ 14 bilhões e US$ 16 bilhões. Na terça-feira, o volume do mercado futuro foi de US$ 14,461 bilhões e na segunda-feira US$ 14,920 bilhões. No dia 11, US$ 15,540 bilhões.

Mesas nervosas. De acordo com a avaliação dos especialistas, o nervosismo das mesas de operações de moeda estrangeira nesta quinta-feira só é comparável aos dias que se seguiram ao estouro da crise do subprime, em 2008. Tempos que o mercado considerava já superados. Nem durante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff a tensão alcançou os níveis de hoje. A derrocada da presidente estava no horizonte dos investidores e foi colocada aos poucos nos preços. Ao contrário, a crise que atinge o governo Temer desde a noite de ontem não estava no horizonte dos negócios.

Se há algum motivo de tranquilidade é o fato de que, atualmente, o mercado está menos alavancado. Até porque, os volume negociados são cerca de metade daquela época. A média diária do giro no mercado à vista durante este ano é de US$ 1,2 bilhão. Enquanto a média do mercado à vista em todo o ano de 2008 foi de US$ 2,8 bilhões. Vale lembrar também a baixa exposição do BC, que praticamente havia zerado o estoque de swaps nos últimos meses. 

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