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Rússia suspende compra de carne suína de unidade da BRF; empresa nega uso da ractopamina

REUTERS

18 Junho 2014 | 18h 37

A Rússia suspendeu as importações de carne suína de uma unidade da BRF após detectar a presença do aditivo alimentar ractopamina em carregamentos, disse o serviço veterinário e fitossanitário do país nesta quarta-feira.

A BRF negou, em nota à imprensa, o uso da ractopamina na unidade que fica em Uberlândia (MG) e disse que até o momento não foi notificada oficialmente sobre resultados de testes realizados pelas autoridades russas.

"Com base em seus sistemas de rastreabilidade e garantia de qualidade, incluindo testes realizados pela empresa para controle interno e análises em laboratórios oficiais reconhecidos e acreditados pelo Ministério da Agricultura, a BRF reitera o não uso da substância nas etapas do processo produtivo daquela unidade", disse a BRF.

O regulador russo Rosselkhoznadzor disse que está impondo restrições temporárias a produtos da unidade da BRF em Uberlância a partir de 19 de junho "a fim de bloquear o fornecimento de produtos perigosos para o mercado russo".

A BRF, por sua vez, disse ainda que as cargas embarcadas do Brasil são acompanhadas de certificado sanitário, acordado entre as autoridades sanitárias de ambos os países, que atesta o atendimento às normas russas estabelecidas na produção da carne em questão.

"Na unidade de Uberlândia, a produção industrial é 100 por cento verticalizada. Todos os animais abatidos pertencem à BRF assim como as matrizes, ração, medicamentos e vacinas", disse a empresa, acrescentando que o transporte dos animais é feito de forma totalmente segregado.

A BRF afirmou também que possui sistema de dupla verificação por regime de coleta e análise de ração, urina e carne, visando garantir a ausência de ractopamina nas granjas, fábrica de ração e frigorífico. "Desta forma, a BRF garante e reafirma o não uso de ractopamina em animais cuja carne é exportada para a Rússia."

A Rússia proibiu a maioria das importações de carne dos Estados Unidos e do Canadá no ano passado por causa de temores sobre o uso de ractopamina. O fornecimento do Brasil foi limitado em 2011 por preocupações relacionadas ao seu sistema de monitoramento de segurança.

As importações da Rússia provenientes dos EUA e do Brasil foram retomadas parcialmente no início deste ano.

A ractopamina é um estimulante de crescimento proibido na Rússia e em alguns outros países por causa de preocupações com a saúde.

(Por Polina Devitt; Reportagem adicional de Fabíola Gomes, em São Paulo)