Safras generosas ajudaram áreas menos dinâmicas

Dado o peso mais relevante da indústria e dos serviços na economia paulista, o Estado de São Paulo foi um dos menos influenciados pela pujança do segmento agropecuário

O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2017 | 03h00

O bom comportamento das safras agrícolas de verão teve um papel decisivo na retomada da atividade econômica não apenas nas áreas mais ricas do País, como as Regiões Sudeste e Sul, mas também no Centro-Oeste e até nas menos desenvolvidas, como o Norte e o Nordeste, segundo o Boletim Regional de julho do Banco Central (BC), distribuído há dias e com dados até maio. Dado o peso mais relevante da indústria e dos serviços na economia paulista, o Estado de São Paulo foi um dos menos influenciados pela pujança do segmento agropecuário.

Baseado em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estudo do BC contém um capítulo sobre o Impacto Regional da Safra Agrícola 2017/2018, prevendo um aumento de 30,1% da produção entre 2016 e 2017, concentrada nas lavouras de soja e milho, em especial, nas Regiões Centro-Oeste e Sul, alcançando também o Nordeste. Estas duas lavouras foram as que mais contribuíram para o valor bruto adicionado da produção agrícola do primeiro trimestre, segundo o IBGE.

O Boletim Regional do BC mostra que a evolução dos principais indicadores de atividade econômica “persiste compatível com o processo de estabilização da economia brasileira no curto prazo e com as perspectivas de sua recuperação gradual no médio prazo”.

Incertezas no âmbito político afetaram apenas moderadamente os índices de confiança, sem alterar a “tendência de recuperação da economia em todas as regiões do País”, impulsionada pelo setor agrícola e pelas vendas do comércio – estas, influenciadas pela elevação da renda agrícola, segundo o estudo.

Não apenas a atividade agrícola influenciou o ritmo da atividade, mas também os desembolsos extraordinários do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o aumento moderado do crédito às famílias e a evolução “benigna” do salário real.

O Estado de São Paulo apresentava, até maio, recuperação mais lenta do que a média brasileira, mas alguns segmentos já mostravam maior atividade, antecipando uma melhora mais forte. É o caso do mercado de crédito, “em contexto de melhora, na margem, da situação financeira das famílias, evidenciada pela trajetória de suave elevação da renda real e do menor grau de endividamento”. As pessoas físicas tomaram mais crédito, em especial imobiliário e consignado.

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