Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Saiba como foi a semana na economia

Julgamento da chapa Dilma-Temer, inflação, MP para acordo de leniência para bancos e negócios bilionários foram os destaques

O Estado de S.Paulo

10 Junho 2017 | 00h22

A semana de 5 a 9 de junho foi marcada pela tensão no cenário político com a expectativa da conclusão do julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que acabou absolvida, mantendo Temer na presidência.

Além disso, o entendimento de que o Banco Central deve desacelerar no corte dos juros, mesmo com a inflação em queda, e a medida que autoriza a instituição a fazer acordos de leniência com bancos também pesaram no humor dos investidores. Considerando todos esses fatores, a Bolsa terminou a semana em queda de 0,48% e o dólar avançou 1,17%.

Taxa de juros

Outro evento importante foi a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que reforçou o entendimento de que o ritmo de corte na Selic, a taxa básica de juros, deve ser mais lento nas próximas reuniões. No documento, o BC reforçou que acompanha com atenção o cenário político, apesar de a inflação permanecer em queda. 

Seja como for, um dos impactos do último corte da Selic é que os fundos de renda fixa referenciados DI, aqueles que compram títulos públicos atrelados à Selic, estão ficando com uma rentabilidade tão baixa quanto a da poupança.

Leniência dos bancos

Na quinta-feira, 8, uma Medida Provisória assinada pelo governo autorizou o BC a firmar acordos de leniência com instituições financeiras. O temor de agentes do mercado, que estão em alerta quanto à delação do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, é que grandes bancos estejam envolvidos em irregularidades. A medida deve começar a ser analisada pelo Congresso na semana que vem, mas já permite as negociações.

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Preços

Sobre a inflação, o resultado de maio do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, confirmou a tendência de baixa do indicador, que acumula alta de 3,60% nos últimos 12 meses. Na comparação com abril, houve alta de 0,31%, abaixo da expectativa de analistas. Mesmo sem considerar esses dados, economistas consultados pelo BC para o Relatório de Mercado Focus já previam que a inflação deve encerrar o ano em 3,90%, abaixo da meta oficial de 4,5%.

Confira no vídeo abaixo mais detalhes sobre a inflação em maio:

A Petrobrás anunciou que adotará para o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) a mesma política de preços que já pratica com a gasolina e o diesel. Assim, o preço do gás de cozinha deve ser revisto todo mês de acordo com as condições de mercado. A nova política de preços, segundo o Sindigás, “penaliza setores que já atravessam momento de grave crise econômica”.

Caso JBS

A JBS foi alvo de mais uma operação da Polícia Federal, a Tendão de Aquiles, que confiscou mídias, celulares e HDs da dona das marcas Friboi e Seara.  No início da semana, Joesley Batista, um dos protagonistas das delações que desencadearam a crise política, foi afastado do conselho da J&F, holding controladora da JBS e de outras empresas da família Batista. O afastamento por cinco anos de qualquer cargo de direção nas companhias do grupo é uma das contrapartidas do acordo de leniência de R$ 10,3 bilhões firmado com o Ministério Público Federal (MPF).

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Além disso, a JBS foi alvo de boicote da rede de pizzaria Domino's por conta do escândalo de corrupção e de um supermercado britânico por denúncias de trabalho escravo. Também a Âmbar, empresa de energia do grupo, perdeu um contrato com a Petrobrás por ferir a cláusula anticorrupção do acordo, firmado em 13 de abril. 

Reformas no Congresso

A crise política não impediu o avanço da reforma trabalhista no Senado, com a conclusão dos trabalhos na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da casa. Em uma vitória para o governo, o texto do projeto de lei que altera mais de 100 pontos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi aprovado por 14 votos a 11. Em um acordo, porém, a próxima etapa deve se dar apenas no próximo dia 20 na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. A previsão é que o texto vá a plenário no fim do mês.

Na Câmara, a reforma da Previdência, por outro lado, deve ficar para agosto.

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Brasil na OCDE - OCDE no Brasil

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, foi a Paris para participar de um seminário e ficou em uma saia-justa ao se distrair com seu celular. "Está tudo calmo no Brasil", justificou o ministro, arrancando risos de uma plateia composta por diplomatas e investidores. O ministro também anunciou que a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que tem sede em Paris, vai abrir um escritório no Brasil. Além disso, Meirelles também criou uma conta no Twitter e, prontamente, foi questionado por usuários por sua atuação no conselho da J&F, controladora da JBS

Negócios

Após decretar o fim de sua conta digital gratuita, o Bradesco lançou o Next, um banco digital voltado para o público jovem. Concorrente direto do Banco Original, o Next cobra tarifas entre R$ 19,95 e R$ 39,95 por mês.

A Natura fez uma oferta de € 1 bilhão pela rede de cosméticos The Body Shop, da multinacional francesa L’Oréal. A expectativa é que o negócio, antecipado pelo Estadão, seja concluído até o fim do ano e incremente a receita da brasileira em 45%, ao patamar de R$ 11,5 bilhões.

Em um movimento já esperado pelo mercado, a Neoenergia e a Elektro farão uma fusão de seus negócios. A nova empresa que será formada a partir da combinação dos ativos das duas, que tem o grupo espanhol Iberdrola como acionista comum, pretende nos próximos meses abrir o capital, segundo fontes a par do assunto. A fusão criará uma companhia com faturamento próximo de R$ 20 bilhões.

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