José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Saiba como foi a semana na economia

Alívio no mercado financeiro pela absolvição da chapa Dilma-Temer no TSE, repactuação da dívida dos Estados com o BNDES e aumento dos juros nos EUA foram os destaques

O Estado de S.Paulo

16 Junho 2017 | 23h10

A semana de 12 a 16 de junho começou com certo alívio no mercado financeiro por conta da não cassação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Investidores monitoraram, porém, a decisão do PSDB sobre permanecer ou não na base do governo.

Além disso, com a desarrumação causada no mercado de bovinos com a crise na JBS, pecuaristas do Mato Grosso estão se articulando para criar uma cooperativa e reatir 15 frigoríficos do Estado. 

No exterior, a principal notícia foi a elevação de 1% para 1,25% da taxa básica de juros dos EUA pelo Fed, o Banco Central norte-americano.  A autoridade monetária justificou o aumento devido ao crescimento da economia do país, e o nível de desemprego em queda. 

Confira outros destaques da semana. 

Caso JBS

Um grupo de pecuaristas de Mato Grosso, maior produtor de gado do País, está se articulando para criar uma cooperativa para reativar até 15 frigoríficos do Estado. As conversas ainda estão em estágio inicial, mas ganharam força nas últimas semanas, depois que vieram à tona as delações dos irmãos Batista, controladores da JBS. A crise na empresa que se seguiu às delações provocou uma grande desarrumação no mercado de bovinos

Governo negocia repactuação da dívida dos Estados com o BNDES

Um dia após o aceno do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de que vai tirar do papel a renegociação de R$ 50 bilhões em dívidas dos Estados, a instituição de fomento afirmou ao Broadcast que quer "acelerar" o acesso dos governos estaduais aos recursos.

O banco informou ainda que está definindo quais programas serão incluídos na repactuação dos débitos, mas já há a expectativa de que a operação abarque os valores da linha ProCopa Arenas, que financiou a construção e a reforma de estádios para a Copa do Mundo de 2014.

Imposto de Renda

A Coluna do Estadão apurou que o governo pretende reduzir a alíquota do Imposto de Renda para quem ganha acima de R$ 4,6 mil por mês, em um aceno à classe média.

Apesar de ver a medida como positiva, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco) ressalta que é preciso também corrigir a tabela do IR, que está defasada desde 1996, para não penalizar os mais pobres. Em ocasiões anteriores, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que não há pressa para atualizar a tabela e o presidente Michel Temer afirmou que a correção é “útil”, mas “complicada”.

CVM multa Eike e vai julgar Graça Foster e Gabrielli 

 

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou Eike Batista ao pagamento de multa de R$ 21 milhões por uso de informação privilegiada na negociação de ações da empresa de construção naval OSX. Em abril de 2013 o empresário vendeu 10 milhões de ações da empresa, levantando R$ 33,7 milhões. Pouco tempo depois a companhia divulgou um novo plano de negócios, que derrubou suas ações na bolsa.

A comissão também julgará os ex-diretores da Petrobrás Graça Foster e José Sérgio Gabrielli por supostas irregularidades na condução da oferta pública de ações da Petrobrás que levantou US$ 69,9 bilhões em 2010. Também são acusadas a própria Petrobrás e o Bradesco BBI, líder da oferta, o ex-diretor de Relações com Investidores da estatal, Almir Barbassa, e o executivo do banco Bruno Boetger.

Decisão do Banco Central dos EUA

 

O Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), decidiu, na quarta-feira, 14, elevar a taxa de juros nesta quarta-feira, 14, pela segunda vez em três meses, citando contínuo crescimento econômico dos Estados Unidos e o fortalecimento do mercado de trabalho, e anunciou que começará a reduzir sua carteira de Treasuries e outros títulos este ano. A decisão elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 1,00 a 1,25%, conforme o Fed prossegue com seu primeiro ciclo de aperto em mais de uma década.  

Crise fiscal no Rio

O governo de Luiz Fernando Pezão entregou à União seu plano de recuperação fiscal e deu mais um passo para acessar um socorro estimado em R$ 62,4 bilhões. Deputados do Rio continuam atuando na Câmara para aprovar um duro conjunto de medidas de austeridade para enquadrar o Estado no regime, que suspende por três anos o pagamento de dívidas no âmbito federal com possível prorrogação por outros três. Já foram aprovadas medidas que aumentam a contribuição previdenciária de servidores estaduais e endurecem as regras para a concessão de pensão por morte.  

Mais recursos para o governo

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira, 13, em votação simbólica, o projeto de lei que permite ao governo federal resgatar os precatórios que estão parados nos bancos e não foram pleiteados por seus beneficiários em dois anos. A receita extra de R$ 8,6 bilhões com essa medida deve liberar uma parte do corte no orçamento anunciado pela equipe econômica para cumprir a meta fiscal.

Latam passará a cobrar por todos os produtos à bordo

A Latam Brasil anunciou, também na terça-feira, 13, que passará a cobrar por todos os produtos oferecidos a bordo em voos domésticos – apenas água continuará a ser servida gratuitamente aos passageiros. Batizada de "Mercado Latam", a iniciativa começará a ser implantada na última semana do mês de junho e contará com um cardápio com 52 produtos. 

Mais um ano de prejuízo para os Correios

Os Correios devem fechar 2017 com prejuízo de R$ 1,3 bilhão, segundo projeção do presidente da estatal, Guilherme Campos, apresentada em uma reunião na última terça-feira (13), no Palácio do Planalto. Se confirmada, será o quinto ano consecutivo em que a companhia, que foi palco inaugural do mensalão há mais de dez anos, fechará no vermelho. 

Para tentar reverter a crise, Campos propõe alterar o plano de saúde dos funcionários. A ideia é que a empresa, que hoje custeia, em média, 93% dos planos de funcionários, estendendo o benefício a cônjuges, filhos e pais, concentre-se em pagar 100% do benefício, porém apenas para funcionários ativos e aposentados, excluindo parentes.

Oito Estados dão benefícios de aposentadorias para deputados

Anunciada como uma medida para acabar com privilégios, a reforma da Previdência pode deixar um rastro de benesses para deputados da ativa e aposentados de ao menos oito Estados, caso não haja mudanças em regimes especiais de aposentadoria. A proposta do governo do presidente Michel Temer, se aprovada apesar da crise política, não tem alcance para promover alterações nesses institutos, o que deixa os parlamentares vinculados a esses regimes em situação mais vantajosa do que os demais brasileiros.

De forma geral, esses parlamentares podem se aposentar a partir dos 60 anos e com o último salário na função de deputado estadual, que é de R$ 25.322,25. Esse valor supera em quase cinco vezes o teto do benefício pago hoje pelo INSS, que está em R$ 5.531,31. E, com a aprovação da reforma da Previdência, que pretende estabelecer uma idade mínima para aposentadoria, eles também teriam vantagem.

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