Saques nas cadernetas são sazonais

Recursos de quase R$ 5 bilhões foram retirados pelas famílias das cadernetas de poupança do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) em janeiro

O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2018 | 03h10

Recursos de quase R$ 5 bilhões foram retirados pelas famílias das cadernetas de poupança do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) em janeiro. É um fenômeno sazonal. Os saques se destinam a pagar as despesas que se acumulam nesta época, relativas à educação, ao IPVA e ao IPTU, além dos gastos com férias e quitação da fatura do cartão de crédito carregado com as compras do Natal.

Não se pode, portanto, considerar que as retiradas foram extraordinárias. Ao contrário, em janeiro de 2018 elas foram inferiores às de janeiro de 2017, quando os saques líquidos atingiram R$ 8,7 bilhões, e de janeiro de 2016, com saques de R$ 9,5 bilhões. A redução do volume de retiradas deve ser atribuída à melhora da economia, que propiciou alguma recomposição real das rendas pessoais e maior equilíbrio dos orçamentos domésticos.

Com os números de janeiro, registrou-se um declínio de quase R$ 2,7 bilhões dos saldos das cadernetas do SBPE, que caíram de R$ 563,74 bilhões em dezembro para R$ 561,06 bilhões no mês passado. O volume de saques foi elevado, mas não o bastante para afetar a oferta de empréstimos imobiliários dos bancos privados. Não é, portanto, motivo plausível para atrasar a comercialização de imóveis que dependem de crédito para serem negociados.

As aplicações em contas de poupança foram muito prejudicadas pela recessão. Os saques líquidos no SBPE atingiram R$ 81,3 bilhões no biênio 2015/2016 e só esboçaram uma reação forte a partir de junho de 2017, ano em que os depósitos líquidos foram de R$ 14,8 bilhões. É possível que, em 2018, o crescimento dos depósitos seja visível mais cedo do que em 2017, na medida da evolução do emprego e da renda dos trabalhadores.

Embora a rentabilidade da poupança se limite a menos de 0,4% ao mês, ela se tornou mais competitiva em relação a outras aplicações de curto prazo, dada a queda da taxa Selic.

Essa competitividade é importante quando se sabe que quase dois terços das aplicações em poupança estão nas mãos de 4,9 milhões de investidores, ou 3,2% dos 149,5 milhões de aplicadores. Os investidores não só detêm a maior parte dos depósitos, como muitos são considerados qualificados, com aplicações superiores a R$ 300 mil. Como os recursos das cadernetas são uma fonte barata de crédito à moradia, será melhor que permaneçam onde estão.

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