DANIEL TEIXEIRA | ESTADAO CONTEUDO
DANIEL TEIXEIRA | ESTADAO CONTEUDO

‘Se a concessionária devolver ou vender o terminal, será melhor’

Para o presidente da Azul, John Rodgerson, devolução de Viracopos abre perspectiva para que aeroporto atraia sócios com capital para investir

Entrevista com

John Rodgerson, presidente da Azul

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

29 Julho 2017 | 05h00

Apenas quatro dias após assumir o comando da Azul S.A., grupo que detém a Azul Linhas Aéreas, o americano John Rodgerson recebeu a informação de que o principal aeroporto para a companhia, o de Viracopos, em Campinas, poderá mudar de mãos. Diante de uma crise financeira aguda, a atual concessionária do terminal – formada por Triunfo Participações e UTC – decidiu ontem devolvê-lo ao governo federal. Rodgerson considerou a notícia positiva, pois cria a possibilidade de que um grupo que esteja “pensando no longo prazo” possa assumir Viracopos e terminar as obras no local. A seguir, os principais trechos da entrevista ao Estado.

Como a devolução de Viracopos impacta na Azul?

Nós já operamos no aeroporto e, se (a concessionária) devolvê-lo ou vendê-lo, achamos melhor porque (o ativo) pode ficar nas mãos de alguém que esteja pensando no longo prazo. Ainda há coisas para terminar no aeroporto e sabemos que esse grupo (a concessionária atual) está com dificuldades há algum tempo.

Enquanto um novo grupo não assume o aeroporto, a operação da Azul em Campinas não poderia ficar complicada?

É nosso hub (terminal de concessão) principal e sempre vai ser. As pessoas falam: ‘por causa da HNA (chinesa que comprou a participação da Odebrecht no aeroporto de Galeão, no Rio, e que é acionista da Azul), vocês vão (transferir o hub) para o Galeão’. Não faz sentido irmos para lá (porque as tarifas aeroportuárias representam um porcentual muito pequeno do custo total). Estamos olhando de perto (a situação de Viracopos), mas é algo (o problema da concessionária) que está chegando ao fim. O fato de que estamos tendo algum progresso é bom.

O sr. assumiu a presidência da Azul nesta semana. Quais serão os maiores desafios?

A grande dificuldade será a renovação da frota nos próximos cinco anos (a empresa está substituindo parte dos aviões da Embraer por aeronaves maiores, da Airbus). Terei de tirar um piloto de uma linha por seis meses e treiná-lo para uma frota completamente nova. Nesse período, perco esse piloto. Mas isso também dá uma vantagem para nós, somos os únicos com uma frota diferenciada. Nossos concorrentes podem voar para uma cidade pequena, mas com um custo muito mais alto (por não terem aviões menores). Eu tenho de gastar mais dinheiro no treinamento dos pilotos, mas o custo é maior para uma empresa que tenha assentos vazios (ao voar para uma cidade pequena com um avião maior).

A crise política ainda impacta nos negócios?

Os últimos dois anos foram difíceis, com muita instabilidade no câmbio. Mas acho que já batemos o fundo do poço. A equipe econômica (do governo federal) está fazendo as coisas certas. Quando estávamos abrindo capital, os investidores estrangeiros falavam sobre o Brasil como se (a crise) já tivesse passado. Eles estão mais otimistas do que a gente, aqui. Temos de ser mais otimistas. O fato de que o câmbio está estável e de que a economia não está piorando deve dar confiança para que as pessoas comecem a investir de novo e a pensar no futuro.

O sr. comentou que a equipe econômica está fazendo o correto. O aumento de impostos, como o do combustível, não prejudica o setor?

Todos sabem que o trabalho que eles (a equipe econômica) têm de fazer é difícil. Às vezes, terão de tomar decisões impopulares, mas acho que a confiança neles (na equipe) é o importante. O Brasil precisa de confiança para retomar o crescimento. Na Azul, não vemos um grande impacto (do aumento dos impostos). Eles fizeram isso no momento certo, porque a inflação está muito baixa.

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