1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Seca interrompe fluxo na hidrovia Tietê-Paraná e afeta exportadores de soja

REUTERS

16 Junho 2014 | 20h 00

A seca no Estado de São Paulo interrompeu o tráfego de barcaças em importante hidrovia paulista usada para o escoamento de soja, uma vez que o governo está priorizando a geração de energia por conta da queda contínua do nível dos rios.

A Hidrovia Tietê-Paraná está baixando de nível desde fevereiro, como reflexo de um dos verões mais quentes e secos já registrados no Estado mais populoso do país, levantando temores de um racionamento de água e de cortes na energia durante a Copa.

Os exportadores de soja e os produtores são as vítimas mais recentes da seca, uma vez que a hidrovia foi completamente fechada para o tráfego de barcaças em 30 de maio.

As empresas exportadoras, incluindo a Cargill, disseram que precisaram contratar caminhões para transportar o produto até o porto de Santos, o principal ponto de embarque de soja do Brasil.

A medida elevou os custos de transporte em 10 a 12 por cento para aqueles que normalmente usam a hidrovia, e os produtores estão recebendo menos pela soja como resultado, disse Edeon Vaz, coordenador de logística da Aprosoja, maior associação de produtores da oleaginosa no país.

O Brasil, maior exportador mundial de soja, deverá embarcar cerca de 43 milhões de toneladas neste ano safra.

Vaz acredita que o fechamento da hidrovia não era necessário e a Aprosoja quer que o governo reduza a geração de energia no Tietê e eleve em outros lugares. Chuvas torrenciais têm caído no Sul do país nas últimas semanas, recompondo reservas hidrelétricas em áreas que podem gerar mais energia para outras regiões.

"Lógico que precisamos de energia, mas temos visto uma super oferta de água em Itaipu, nós poderíamos reduzir a água usada das represas do Tietê", disse Vaz à Reuters por telefone de Brasília.

A assessoria de imprensa da hidrelétrica de Itaipu, a maior do Brasil, disse que a agência brasileira-paraguaia que administra a represa está recompondo seu reservatório de água para ter reserva durante a Copa do Mundo. Parte desta água vem dos pontos mais elevados e mais secos da hidrovia Tietê-Paraná.

Os níveis dos reservatórios na região Sudeste devem fechar junho em 36,4 por cento, um pouco mais da metade do nível registrado um ano atrás e um dos mais baixos em 15 anos. O governo da presidente Dilma Rousseff não quer correr risco de um racionamento neste ano eleitoral. Dois terços da energia no Brasil vêm de hidrelétricas.

Enquanto isso, o calado máximo da hidrovia Tietê-Paraná, ou a profundidade da embarcação abaixo do nível da água, estava em apenas 0,5 metro em algumas partes nesta segunda-feira, bem abaixo dos 2,2 metros necessários para a navegação comercial, disse a Secretaria Estadual de Logística e Transportes de São Paulo.

Luiz Fernando Horta de Siqueira, presidente do Sindicato dos Armadores de Navegação Fluvial do Estado de São Paulo, disse que o calado pode ser elevado a níveis navegáveis em um trecho de 8 a 10 km se forem elevadas as reservas do Tietê-Paraná bem acima de Itaipu.

A hidrovia Tietê-Paraná transporta 8 milhões de toneladas em cargas por ano, incluindo 2,5 milhões de toneladas de soja, milho e derivados de soja que vêm principalmente de Mato Grosso e Goiás, de acordo com Vaz da Aprosoja.

(Reportagem adicional de Gustavo Bonato, Jeb Blount e Anna Flavia Rochas)