Seguro agrícola cresce e atrai empresas no Brasil

No ano passado, a venda de apólices para proteção de lavouras cresceu 4%, e atingiu R$ 1,8 bilhão

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2018 | 05h00

O setor de seguros vê grande potencial na agropecuária do Brasil. No ano passado, a venda de apólices para proteção de lavouras cresceu 4%, e atingiu R$ 1,8 bilhão. Wady Cury, presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg), conta à coluna que o subsídio do governo ao produtor é importante para estimular a cobertura das lavouras, mas é o interesse crescente do próprio setor agropecuário que sustenta o avanço. E a procura não se limita à agricultura. O total contratado em todas as modalidades de seguro rural aumentou 13% em 2017, para R$ 4,1 bilhões. Em 2018, espera-se expansão de 10%. “O crescimento acima de dois dígitos vem chamando a atenção das empresas do setor”, diz o executivo. 

No rastro. Uma dessas empresas é a norte-americana Markel, que começou a oferecer seguro agrícola no Brasil em 2017 e projeta dobrar a meta este ano, para R$ 22 milhões. O impulso será dado pela inclusão da empresa na lista do Ministério da Agricultura de companhias autorizadas a vender apólices com subsídio do governo federal – da qual já fazem parte Sancor e Tokio Marine.

Direto na mesa. A Marfrig fechou parceria com a Nestlé para ampliar o portfólio de produtos prontos para consumo. O investimento é de R$ 4 milhões em uma linha de molhos prontos para carnes e arroz com 14 sabores, que deve chegar ao varejo até o meio do ano. A expectativa é comercializar 200 toneladas por mês no mercado interno e também na Europa, América do Norte e Caribe, o que deve ampliar em R$ 3,3 milhões o faturamento da operação de industrializados.

Mais um no mercado. À coluna, Rui Mendonça, executivo-chefe de Operação e Industrializados da Divisão Beef da Marfrig, diz que o intuito é expandir a divisão de produtos processados da empresa, aproveitando a tecnologia existente. Com esse movimento, a Marfrig se aproxima do perfil de concorrentes como JBS e BRF, que dispõem de um amplo leque de produtos.

Sondagens. Empresas de melhoramento genético de sementes que atuam no Brasil têm sido procuradas por gigantes do setor, como Basf, Bayer, Syngenta e DowDupont. O interesse é um só: aquisição. A paranaense TMG – a quarta maior do mercado de sementes de soja no País, com fatia de 13% –, é uma delas. O grupo argentino GMD Seeds, com 32% de share, também está na mira das multinacionais, que iniciaram de dois anos para cá forte movimento de consolidação no mundo. Fontes que acompanham o assunto asseguram que elas não descartam a possibilidade de serem compradas.

Crédito online. O Banco do Brasil espera alcançar R$ 1,2 bilhão em financiamentos agrícolas de custeio e investimento para a safra 2018/2019 por meio do aplicativo disponível para smartphones e tablets. O valor representa quase 10% dos R$ 14,5 bilhões previstos para serem liberados pelo programa este ano. A instituição financeira projeta também atingir R$ 1 bilhão em contratações durante o Show Rural Coopavel, primeira grande mostra agrícola do ano, que começa nesta segunda-feira em Cascavel (PR).

Agora vai. O banco AGCO Finance aposta na expansão das vendas de máquinas agrícolas por Crédito Direto ao Consumidor (CDC), linha com recursos próprios da instituição. Em Cascavel, a expectativa da AGCO é de que pelo menos 10% dos negócios sejam efetivados com esta modalidade, oferecida pela primeira vez com juro zero para pagamento da dívida em até 12 meses. 

Comparação. Paulo Schuch, superintendente comercial do AGCO Finance, comenta que as operações com CDC no banco aumentaram 240% em 2017 e que a maior procura tem sido para adquirir máquinas de pequeno e médio portes, já que o prazo máximo de amortização é de três anos com juros de 6,5% ao ano. Para equipamentos de maior porte, o Moderfrota (linha subsidiada pelo governo federal) dá até sete anos para quitar a dívida a juros de 7,5% a 10,5% ao ano. 

No aguardo. O Ministério da Agricultura espera que os russos anunciem esta semana a reabertura das importações de carnes bovina e suína brasileiras, suspensas desde 1.º de dezembro por questões sanitárias. Entre terça-feira (6) e quinta-feira (8) será realizada em Moscou a Agrofarm, tradicional mostra do setor agropecuário na qual exportadores e importadores definem negócios e cotas comerciais para o ano. A expectativa é de que um anúncio do governo local ocorra durante a feira.

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