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Economia

Joaquim Levy

Seguro-desemprego é benefício ultrapassado, diz Joaquim Levy

Em entrevista a jornal britânico, ministro da Fazenda criticou o modelo atual do benefício e defendeu a necessidade de cortes em diversas áreas; ele garantiu, porém, a continuidade do Bolsa Família

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Danielle Chaves, Hugo Passarelli, Malena Oliveira,
O Estado de S. Paulo

23 Janeiro 2015 | 14h33

Em meio a um ajuste fiscal estimado já em R$ 45,8 bilhões, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que o modelo do seguro-desemprego está "completamente ultrapassado". A afirmação foi dado em entrevista ao jornal britânico Financial Times durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Levy utilizou o benefício como exemplo para defender a necessidade de cortes e reformas em diversas áreas. Entretanto, ele fez questão de reforçar que o Bolsa Família não será atingido.

"O mundo está mudando e é hora do Brasil mudar", afirmou, acrescentando que as políticas anti-cíclicas têm limite, "especialmente quando você vê que as duas maiores economias do mundo (EUA e China) estão também mudando sua postura". Para Levy, o País precisa de reformas estruturais mais do que de estímulos: "Assim que pusermos a casa em ordem, a reação será positiva", defendeu. Em março, novas regras para a obtenção do seguro-desemprego passam a valer e podem restringir o acesso de mais de 2 milhões de trabalhadores, segundo cálculo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

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O jornal ainda destaca que há dúvidas se o ministro da Fazenda receberá apoio inequívoco da presidente Dilma Rousseff, conhecida por seu perfil intervencionista. Levy rebateu a afirmação: "a presidente Dilma é uma pessoa muito decidida e entende as escolhas. Ele acrescentou que "não está sozinho no governo."

Zona do euro. Em outra entrevista, à agência Dow Jones, o ministro afirmou que o movimento do Banco Central Europeu (BCE) para iniciar um programa de relaxamento quantitativo pode estimular o investimento no Brasil e aumentar a demanda por exportações brasileiras.

Levy minimizou qualquer impacto da recente desaceleração do crescimento na China. "O que está acontecendo na China era perfeitamente esperado", disse. Segundo o ministro, o crescimento do Brasil será "quase estável" em 2015, em meio a uma série de aumentos de impostos e cortes de gastos no País, bem como em razão da expansão global mais lenta. "Nós temos de lidar com questões de curto prazo sobre investimento", disse Levy. "Há várias coisas que precisam ser feitas no Brasil."

Energia. O apagão no Brasil na segunda-feira, 19, levantou receios de que o País esteja sob risco de um racionamento de eletricidade enquanto lida com uma seca severa. Levy afirmou que ficará mais claro em um mês se haverá necessidade de um racionamento de eletricidade, depois do pico do verão.