Cláudia Trevisan/Estadão
Cláudia Trevisan/Estadão

Sem aço brasileiro, siderúrgica nos Estados Unidos fica inviável

Segundo presidente da California Steel, não há oferta suficiente de aço semiacabado nos EUA para atender empresa

Cláudia Trevisan, enviada especial, Impresso

10 Março 2018 | 18h30

FONTANA E LOS ANGELES - As siderúrgicas integradas americanas não fabricam aço semi-acabado em volume suficiente para atender à demanda da California Steel, disse o CEO da empresa, Marcelo Botelho Rodrigues. Localizadas em Estados da região Leste, elas usam quase toda a produção em sua própria fabricação de aços laminados. Ainda que existisse oferta, o custo de transporte das placas de aço até a sede da California Steel seria cinco vezes superior ao de trazê-las do Brasil pelo mar.

Segundo Rodrigues, a imposição da tarifa de 25% sobre a importação de produtos semi-acabados vai tirar a capacidade de sua companhia de competir com siderúrgicas que adotam outros modelos de negócio, já que nenhuma delas terá de pagar mais pela matéria-prima que utiliza.

As grandes siderúrgicas integradas da região Leste fazem o aço a partir de minério de ferro e carvão, que não foram afetados pela barreira. Um número crescente de outras usa sucata processada em fornos elétricos. Intensas usuárias de energia, essas indústrias respondem por dois terços do aço fabricado nos EUA, disse Rodrigues.

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Em razão de regulações ambientais, a Califórnia e a costa Oeste dos EUA não têm siderúrgicas integradas (que usam altos-fornos) nem as baseadas em fornos elétricos. E transportar por terra o aço que está a cerca de 2.000 km de distância é economicamente inviável. Isso significa que a tarifa terá um efeito dominó em setores como construção e infraestrutura da região, que usam as bobinas de aço da California Steel para fabricar seus produtos finais.

São esses argumentos que Rodrigues apresentará ao governo americano para pedir a não aplicação da tarifa sobre as importações da empresa. Ao anunciar a barreira, o presidente Donald Trump disse que sua administração negociaria com empresas dos EUA e governos dos países afetados para abrir eventuais exceções, caso a caso.

 

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