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Sem caixa, Usiminas busca saída para evitar pedido de recuperação judicial

- Atualizado: 12 Fevereiro 2016 | 05h 00

Siderúrgica corre risco de não ter recursos para manter operações já em março; na tentativa de possibilitar um aporte na empresa, governo de MG montou força-tarefa para mediar um acordo entre os controladores, envolvidos em uma das maiores brigas societárias do País

Em uma situação financeira complicada, a Usiminas corre o risco de não ter caixa para manter suas operações a partir de março, segundo fontes ouvidas pelo Estado. Há meses tentando vender ativos, sem sucesso, para ganhar fôlego e em renegociação com bancos para alongar dívidas, a siderúrgica mineira, que já desligou três dos seus cinco altos-fornos, em Ipatinga (MG) e Cubatão (ex-Cosipa), tenta encontrar uma solução para evitar que a empresa entre em recuperação judicial.

A possibilidade de um aumento de capital, conforme antecipou o Broadcast, serviço de tempo real da Agência Estado, não é um consenso no grupo. Fontes ouvidas pelo Estado afirmam que um aporte, neste momento delicado da empresa, só poderia ser feito se a Usiminas apresentasse um plano de reestruturação para dar credibilidade ao mercado e mudasse a gestão. 

Siderúrgica mineira já desligou três dos seus cinco altos-fornos, em Ipatinga (MG) e em Cubatão (SP)
Siderúrgica mineira já desligou três dos seus cinco altos-fornos, em Ipatinga (MG) e em Cubatão (SP)
“A Usiminas vive um conflito de gestão há tempos, antes mesmo da entrada do grupo Techint (em 2011). Tanto Usiminas como CSN, que estão altamente endividadas, tentam vender ativos. Mas a atual situação do setor é grave, com a superoferta global de aço e menor demanda da China. Além disso, a crise econômica no Brasil retraiu a demanda, agravando a situação”, disse Pedro Galdi, da consultoria Galdi Investimentos.

A próxima semana será crucial para a companhia. No dia 18, o grupo divulga o balanço do quarto trimestre e a expectativa do mercado é de que a empresa feche no vermelho e a relação da dívida líquida/Ebtida (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) aumente exponencialmente. No terceiro trimestre, a Usiminas encerrou com prejuízo líquido de R$ 1,042 bilhão e Ebtida ajustado negativo em R$ 65 milhões. Em setembro, a siderúrgica tinha em caixa R$ 2,4 bilhões. No entanto, parte desses recursos, R$ 1,3 bilhão, estava na Mineração Usiminas (Musa), que barrou a liberação de caixa ao controlador. 

A CSN, no mesmo período, registrou um Ebtida de R$ 853 milhões e prejuízo líquido de R$ 532,6 milhões. Já a Gerdau reportou um Ebtida de R$ 1,291 bilhão e prejuízo líquido de R$ 1,9 bilhão (mas, em termos ajustados, lucro líquido foi de R$ 191 milhões).

Disputa societária. Com as ações derretendo nos últimos meses, a Usiminas ainda vive uma das maiores disputas societárias do País. A japonesa Nippon Steel e a Ternium, subsidiária do grupo ítalo-argentino Techint, que fazem parte do bloco de controle, romperam as relações em setembro de 2014. Desde 2015, a Ternium não participa mais das decisões do dia a dia da companhia. Ontem, as ações preferenciais da empresa recuaram 12,37%, para R$ 0,85.

A crise na Usiminas levou o governo de Minas Gerais a montar uma força-tarefa para mediar um entendimento entre as duas sócias. O objetivo é que as companhias encontrem uma solução para a disputa societária e façam, assim, um aporte na Usiminas, disse ao Broadcast o presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), Marco Antonio Castello Branco. Vale lembrar que Castello Branco é ex-presidente da Usiminas. Ele presidiu a companhia por dois anos e sua saída foi tumultuada, sob várias acusações.

Procurada, Usiminas não comenta. A Nippon informou que, em relação à posição de caixa e um eventual pedido de recuperação judicial, o assunto deve ser “ avaliado pela administração de Usiminas e que “não tem conhecimento do assunto”, mas que quer proteger os interesses da companhia. A Ternium, por meio de sua assessoria, enfatizou que busca um melhor entendimento para um choque de gestão que a Usiminas necessita neste momento.

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