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Sem chuva, preço da energia bate recorde

RENÉE PEREIRA - O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2014 | 02h 06

Megawatt hora subiu de R$ 484,43 para R$ 822,83; queda no nível dos reservatórios provoca entrada em operação de usinas térmicas

O volume de chuva abaixo da média - o terceiro pior em 84 anos - elevou o preço da energia no mercado à vista (PLD) para o valor máximo permitido e piorou a situação das distribuidoras. O preço calculado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) para o período entre hoje e sexta-feira subiu de R$ 484,43 o megawatt hora (MWh) para R$ 822,83 o MWh, o maior preço já atingido no País.

Com a revisão, que reflete a queda no nível de água nos reservatórios, praticamente todas as usinas termoelétricas instaladas no País serão ligadas para ajudar no abastecimento. Até agora cerca de 13,13 mil MW de energia térmica estavam em operação. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), esse montante vai subir para 15,56 mil MW.

Se por um lado a geração térmica contribui para poupar água nos reservatórios, por outro vai pressionar ainda mais o caixa das distribuidoras, debilitado por causa da falta de contratos para cobrir todo seu mercado. Hoje elas estão descobertas em 3.500 MW - para atender os clientes elas têm de recorrer ao mercado a vista, cujo preço é de R$ 822,83 o MWh.

No final do ano passado, com o PLD na casa de R$ 300 o MWh, a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) calculava que o rombo no caixa das empresas poderia chegar a R$ 13 bilhões. Com o aumento do PLD, especialistas acreditam que o montante possa alcançar algo em torno de R$ 15 bilhões.

A Abradee não quis comentar o assunto, mas nas últimas semanas tem participado de várias reuniões com o governo para tentar encontrar uma saída. A mais provável é repetir a fórmula usada no ano passado, quando as empresas receberam quase R$ 10 bilhões da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), capitalizada pelo Tesouro Nacional.

"Essa é a melhor opção para zelar pelo equilíbrio das distribuidoras", afirma o professor da UFRJ, Nivalde Castro. O problema de descontratação surgiu com a renovação das concessões, em 2012, que não teve adesão de todas as geradoras - Cemig, Cesp e Copel não aceitaram as condições impostas pelo governo federal.

Na avaliação de Castro, o aumento do PLD desta semana, apesar de refletir a situação mais apertada dos reservatórios, não representa riscos de abastecimento. "No ano passado, a situação era mais crítica e as térmicas conseguiram suprir." Além disso, ele acredita que, com o preço elevado, a indústria - especialmente a eletrointensiva - deve reduzir consumo para ter algum ganho no mercado à vista.

O presidente da comercializadora de energia Comerc, Cristopher Vlavianos, destaca, no entanto, que o volume de água que chegou nos reservatórios em janeiro do ano passado estava em 81% ante 54% deste ano. Em fevereiro de 2013, foi de 94% e, em março, de 89%. "Este ano, embora tenha começado com nível melhor de armazenamento, o período chuvoso tem sido muito ruim. Não acho que terá racionamento, mas não é improvável."

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