Nacho Doce/Reuters
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Sem definição sobre acordo com Boeing, ações da Embraer caem

Ações da companhia encerraram o dia em baixa de 3,61%, a R$ 20,30; setor varejista reage com sinais de recuperação

Fabiana Holtz e Equipe AE, O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2017 | 18h52

A falta de um horizonte mais claro nas negociações da Embraer com a Boeing trouxe mais volatilidade para o papel da fabricante de aviões nesta quarta-feira, 27. "Para a ação continuar subindo seria preciso ter uma posição mais clara sobre o negócio, se vai acontecer e como isso será feito", observou Hersz Ferman, economista da Elite Corretora. As ações ordinárias da companhia encerraram o dia em baixa de 3,61%, a R$ 20,30.

Pela manhã, a companhia de São José dos Campos informou que o Brandes Investment Partners, maior acionista individual da empresa, reduziu sua participação para 14,4039% (106.656.095 ações ordinárias). Até então, segundo informação presente no site da Embraer, a fatia da Brandes na empresa era de 15%. Depois dela, aparecem a Mondrian, com 10,1%; o BNDESPar, com 5,4%; e a Blackrock, com 5%.

Varejistas. Entre as altas, ações cíclicas, como as varejistas, permaneceram em destaque, após os números das vendas de Natal surpreenderem o mercado, sinalizando para uma recuperação consistente do setor. E novos números contribuem para ampliar esse avanço.

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Após o anúncio da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de que o Índice de Confiança do Comércio (Icom) atingiu 94,8 pontos em dezembro, o maior nível desde julho de 2014, alguns papeis do setor foram beneficiados. Com essa injeção de otimismo, Lojas Americanas PN avançou 4,08%, seguida por Natura ON (+4,00%), Lojas Renner ON (+2,54%) e Pão de Açúcar PN (+1,05%). Fora do índice, Magazine Luiza ON apresentou ganho de 2,40%.

"Com certeza essa recuperação é consistente, mas ainda tímida e temos eleições no horizonte. O cenário é mais incerto que o normal e pode acabar ofuscando essa recuperação", ponderou Ferman, da Elite Corretora. Segundo ele, 2018 promete muita volatilidade.

Petrobrás, Vale e siderúrgicas. Nesta última semana do ano, com os investidores aproveitando para ajustar posições, Petrobrás ON fechou em alta de 0,36%, e PN subiu 0,50%, descolando dos mercados internacionais. Em Nova York, os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa de 0,55%, em dia de realização de lucros após a explosão de um oleoduto na Líbia ter gerado uma forte alta na commodity na sessão anterior.

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Também beneficiada pelo movimento de ajuste de posições e seguindo o mercado europeu, Vale fechou positivo, apesar da queda de quase 5% no preço do minério de ferro no mercado à vista no porto de Qindgao. Vale ON subiu 0,03%, Usiminas PNA registrou alta de 1,22%, e CSN, de 3,47%.

Exportadoras. Com receitas sensíveis as oscilações do câmbio, Suzano registrou leve alta de 0,22% e Fibria subiu 0,48% na hora final do pregão. Ambas figuraram entre as maiores quedas durante boa parte do dia, pressionadas pelo dólar em baixa frente ao real. Klabin, por sua vez, recuou 1,25%.

O Ibovespa fechou em alta de 0,48%, aos 76.072,53 pontos. Em dezembro, o índice acumula avanço de 5,70%, e em 2017, de 26,31%. O giro financeiro ficou em R$ 5,27 bilhões, segundo dados preliminares. (Fabiana Holtz - fabiana.holtz@estadao.com e Equipe AE)

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