Diego Emir
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Sem hospitais e escolas, São Luís tenta reduzir gastos

Cidade tem dívida de R$ 200 milhões com empresas fornecedoras e diz que dificilmente vai conseguir pagar este ano

Diego Emir, Especial para o Estado

10 Agosto 2017 | 23h23

SÃO LUÍS - O cenário é desolador na principal cidade do Maranhão. Em São Luís as obras de uma maternidade e do Hospital da Criança estão paralisadas; mais de 40 escolas estão sem condições de funcionar; as 25 creches prometidas em 2013 não ficaram prontas; 27 mercados públicos precisam de reformas; ruas estão esburacadas ou permanecem sem pavimentação e servidores estão sem reajuste nos salários. A justificativa da prefeitura para os problemas é a crise econômica.

+ Mais de 2 mil prefeituras estão fora da lei

Reeleito em 2016, Edivaldo Holanda Júnior (PDT), que tem o segundo maior salário do País entre os prefeitos de capitais – R$ 26 mil –, tomou como primeira medida no início do ano o corte de gastos. Por meio do Decreto n.º 48.812, foi ordenada a redução de 30% despesas com água e energia elétrica, de 50% da frota de veículos locados e de, no mínimo, 10% das despesas com telefonias móvel e fixa de toda a estrutura administrativa. A meta é economizar R$ 100 milhões até o fim do ano.

Enquanto isso, as obras continuam paradas. A Maternidade da Cidade Operária segue no chão. A prefeitura recebeu R$ 3,3 milhões do governo federal, mas o total deveria ser de R$ 24 milhões, segundo o secretário de Saúde, Lula Fylho. O Hospital da Criança, que deveria estar pronto em dezembro de 2016, também está com os trabalhos paralisados.

O serviço de Atenção Básica e, saúde teve redução significativa e pelo menos mil servidores temporários estão com os salários de julho atrasados. “Infelizmente, hoje estamos voltados praticamente apenas para a medicina curativa, a preventiva sofre com o atual momento do País”, disse o secretário.

A empregada doméstica Maria do Carmo Ribeiro, de 53 anos, tenta há mais de dois anos fazer o exame preventivo ginecológico e uma mamografia, mas o Centro de Saúde de Fátima alega que a médica que faz o procedimento está de licença. “Fiz uma cirurgia de mioma há oito anos e tenho que fazer o acompanhamento anual. A última vez que consegui fazer o exame foi em uma ação social da minha igreja”, disse.

Por meio da assessoria de comunicação, a Secretaria de Saúde informou que o serviço de preventivo ginecológico foi retomado e está sendo oferecido três vezes por semana.

O secretário de Planejamento, José Cursino, afirmou que a crise é grave e as saídas são poucas para o município. “Devemos racionalizar as despesas, investir nas PPPs (Parcerias Público-privadas), cortar o máximo da gordura e aperfeiçoar a arrecadação.” Segundo ele, a arrecadação municipal caído entre 8% e 12% por mês.

De acordo com o gestor, o maior gargalo está no pagamento da folha de servidores, que custa R$ 100 milhões ao mês. A folha está em dia, mas o pagamento de quase todos os fornecedores está em atraso. A dívida com empresas que fornecem para a prefeitura de São Luís supera os R$ 200 milhões e dificilmente será paga neste ano, admitiu o secretário de Planejamento. A prefeitura anunciou que não tem como conceder reajuste aos professores e a categoria está em greve desde o dia 1.º.

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