ANDRE DUSEK/ESTADAO
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Sem Previdência, Moody's diz que avaliação do Brasil continuará pessimista

Chefe de análise de risco da agência de classificação de risco, Mauro Leos, disse a jornalistas achar difícil que haverá chance de aprovar a Previdência em 2018, ano eleitoral, caso a reforma não aconteça neste ano

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2017 | 14h56

O chefe de análise de risco soberano da agência de classificação de risco Moody's para a América Latina, Mauro Leos, acredita que o adiamento da aprovação da reforma da previdência não deve causar surpresa nos investidores. Mas para o rating soberano do País, se não houver nenhuma reforma até o começo de 2018, um das possibilidades é estender a perspectiva negativa da nota que o Brasil passou a ter em maio, em meio ao escândalo político desencadeado pela delação da JBS.

Leos disse a jornalistas achar difícil que haverá chance de aprovar a PEC da Previdência em 2018, um ano eleitoral, caso a reforma não aconteça neste ano. O analista ressaltou, porém, que do ponto de vista de uma agência de classificação de risco, mais que data de aprovação do texto, o importante é o conteúdo das medidas, que sejam suficientes para reduzir a dívida do País.

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"Estamos ficando sem datas para a reforma da Previdência", disse ele ao ser perguntado sobre sua perspectiva para a Previdência. Leos ressaltou que o cenário da Moody's para o Brasil nos próximos anos incorpora uma reforma, por isso é essencial que as medidas saiam do papel. Um ajuste na previdência social brasileira é essencial para estabilizar a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB), que caminha para superar os 80%, acima da média dos emergentes.

Além do cenário para a reforma da Previdência, Leos disse que um dos fatores que a Moody's vai levar em conta no processo de reavaliação do rating soberano do Brasil é a eleição do ano que vem. O impacto maior das urnas na nota soberana, porém, ficará para 2019. Independentemente de quem vença a corrida eleitoral, Leos ressaltou que o próximo presidente terá que prosseguir com o ajuste fiscal, por conta da forte deterioração dos números.

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Esforços. Hoje, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn e o secretário da Fazenda, Mansueto Almeida, defenderam, em eventos diferentes as reformas propostas pelo governo. 

O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, disse hoje em apresentação que aumenta o custo do ajuste fiscal no Brasil a cada mês que a reforma da Previdência não é aprovada. Após o evento, ele declarou a jornalistas que o governo segue negociando a reforma e tem a expectativa de aprovação do texto ainda este ano.

O presidente do Banco Central reforçou a necessidade de reformas para manutenção da recuperação econômica e para o crescimento sustentável da economia, em especial as mudanças na Previdência Social. 

 

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