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Sem surpresas com Copom e Fed, Bovespa bate novo recorde

JULIANA SIQUEIRA - REUTERS

19 Julho 2007 | 18h 07

A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta nesta quinta-feira e bateu novo recorde, com investidores mais tranquilos passada a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e as declarações do chairman do banco central norte-americano (Fed). O principal indicador da bolsa paulista fechou em alta de 0,99 por cento, a 58.124 pontos. Em Nova York, o Dow Jones avançou 0,59 por cento, fechando a 14 mil pontos pela primeira vez. "O fato de o crescimento (no Brasil) estar acelerando mais impulsionado pelo segmento doméstico é bastante encorajador, à medida que sugere que o padrão de crescimento é mais sustentável e menos exposto a riscos globais", escreveu o Santander Investment em relatório no qual elevou a previsão de expansão da economia brasileira este ano a 4,8 por cento e a de reservas internacionais a 185 bilhões de dólares. "Essas mudanças macroeconômicas devem dar forte sustentação para as ações brasileiras", complementou. O mercado também reagiu positivamente à indicação do Copom de que pode reduzir o vigor dos cortes na próxima reunião do colegiado, após corte de 0,50 ponto percentual na Selic na quarta-feira. Embora juros menores sejam positivos para o mercado acionário, os investidores viram com bons olhos o sinal do Banco Central de que não será leniente com a inflação. "(A divisão do Copom) trouxe para o mercado a confiança que (o BC) precisava resgatar", explicou Miguel Daoud, diretor da Global Financial Advisor, referindo-se ao ruído gerado pela meta de inflação declarada e perseguida. Nos Estados Unidos, o segundo dia de depoimentos do chairman do Fed, Ben Bernanke, ao Congresso e a ata da última reunião do banco central norte-americano não causaram sobressaltos adicionais aos da véspera, quando o Fed reduziu a perspectiva de crescimento da maior economia do mundo. O que chamou a atenção foi a declaração de Bernanke de que as perdas com o crédito imobiliário de risco podem atingir 100 bilhões de dólares. Isso abateu ações de instituições financeiras, como as do Citigroup . TAM CAI POR 2o DIA O volume financeiro da Bovespa ficou em 4,4 bilhões de reais. O destaque negativo ficou mais uma vez com as ações da TAM, que perderam 6,3 por cento, com o terceiro maior giro da bolsa paulista. Na véspera, os papéis da maior companhia aérea do país já haviam recuado 9 por cento, reagindo ao maior acidente aéreo do Brasil ocorrido na noite de terça-feira, envolvendo um Airbus A320 da TAM. Em meio à desconfiança com a segurança do sistema aéreo nacional, as ações da Gol também tiveram forte baixa, com perda de 4,04 por cento no dia. Na ponta oposta, a maior alta do pregão foi registrada pelas ações preferenciais da Brasil Telecom operadora, de 5,15 por cento. Os fundos de pensão Previ, Petros e Funcef assinaram acordo de aquisição, por 515 milhões de dólares, dos 38 por cento que a Telecom Italia detém na Solpart, empresa controladora da Brasil Telecom Participações. Já a terceira maior baixa do índice Bovespa foi Banco do Brasil, depois da notícia de que o fundo de pensão Previ e o BNDESPar pretendem realizar até o final do ano oferta pública secundária de ações do BB. É comum o mercado pressionar a cotação do papel antes desse tipo de oferta, para comprar mais barato na operação.