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Serviços acompanham a desaceleração econômica

O Estado de S.Paulo

19 Junho 2014 | 02h 05

O setor de serviços responde por mais de 2/3 do Produto Interno Bruto (PIB), mas seu desempenho depende do comportamento da indústria e do comércio - e, como estes setores fraquejam, a receita bruta de serviços cresceu apenas 6,2% entre abril de 2013 e abril de 2014, abaixo do que havia crescido em março (6,8%) e em fevereiro (10,1%), segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE.

Como os resultados são nominais, e a inflação em 12 meses medida pelo IPCA foi de 6,28%, já se pode considerar que o setor de serviços tende à estagnação. Esta só foi evitada, até agora, por causa dos serviços prestados às famílias, em especial alimentação fora do domicílio e alojamento, com aumento de 10,8%, além dos outros serviços, como lazer, atividades artísticas, lavanderias, cabeleireiros e beleza, cursos de idiomas e preparatórios, ensino de esportes, arte, cultura e cuidados com animais e atividades funerárias, que cresceram 8%.

Com menos produtos para transportar, sobretudo em razão da queda de 0,3% da produção industrial em abril, o segmento de transporte terrestre cresceu apenas 3,6%.

Entre março e abril também houve desaceleração dos serviços de informação e de comunicação (alta de 3,7%, entre abril de 2013 e abril de 2014, em comparação à de 6,7%, em fevereiro, e de 4,4%, em março).

Os segmentos de informação, profissionais e transportes são os que têm maior peso no setor de serviços. São eles também "os mais sensíveis às demandas empresariais", explicou o técnico do IBGE Roberto Saldanha. Assim, é por meio desses segmentos que o fraco desempenho de outros setores afeta os serviços.

A comparação entre períodos mais longos é menos desfavorável para todo o setor. Em 12 meses, a variação do faturamento do setor de serviços foi positiva em 8,3% nominais, em relação aos 12 meses anteriores. Em boa parte, isso se deve à atividade econômica mais forte no ano passado, o que ainda ajuda a impulsionar os serviços. O emprego e a renda dos trabalhadores continuam crescendo, embora em ritmo mais lento, o que também estimula os serviços. Parece haver, portanto, renda disponível para manter o consumo, ainda que as vendas em hiper e supermercados tenham caído em março e abril, comparativamente ao mês anterior, segundo o IBGE.

No entanto, sem a retomada da indústria e do comércio, os serviços crescerão pouco. Ou registrarão queda, se a receita for corrigida pela inflação anual de serviços, de 8,99%.

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