Servidores reagem a adiamento de reajuste

Sindicalistas dizem que funcionalismo pode entrar em greve contra a medida, inclusa no pacote fiscal do governo para fechar as contas no azul em 2016

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2015 | 02h02

BRASÍLIA - A decisão do governo de adiar de janeiro para agosto o reajuste prometido aos servidores públicos deve aumentar a adesão de outras categorias à greve que está concentrada nas universidades federais e nos postos do INSS.

A Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), estima que cerca de 100 mil servidores públicos - dos 850 mil do Executivo - estão em greve. De acordo com o Ministério do Planejamento, a maior parte dos grevistas é das 56 universidades federais.

Entidades sindicais dos técnicos administrativos, dos docentes e dos servidores federais da educação básica dessas instituições estão em greve há mais de 100 dias, em alguns casos.

Tanto tempo de paralisação compromete o semestre letivo dos alunos e adia formaturas. Já a greve dos servidores do INSS de 70 dias já faz com que o agendamento de aposentadorias fique para 2016.

"O cenário aumenta a possibilidade de outras categorias aderirem à greve. Os novos cortes no orçamento de 2016 podem trazer consequências devastadoras para o setor público", disse Sérgio Ronaldo da Silva, da Condsef. A entidade reúne 36 sindicatos que representam 80% dos servidores do Executivo. "O governo está nos tratando como o vilão da história, colocando nas nossas costas a conta da crise financeira e política."

Reação ao ajuste. Nesta terça-feira, 15, a Condsef participou de uma reunião em que mais de 20 entidades representativas dos servidores discutiram as ações que devem ser tomadas diante do anúncio do governo de adiar por sete meses o reajuste prometido aos servidores, para economizar R$ 7 bilhões. Outras assembleias vão acontecer em todo o País para definir a resposta das categorias ao recuo em relação ao reajuste prometido.

Os fiscais do Ministério da Agricultura foram os primeiros a informar o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que vão entrar em greve a partir de hoje, como resposta ao anúncio feito na segunda de segurar o reajuste de janeiro para agosto.

De acordo com Silva, houve descumprimento do acordo, de reajustes programados para os próximos quatro anos. "O governo nos apresentou uma proposta, que foi aprovada pela categoria, e agora quebra o acordo e nos deixa nessa situação."

No anúncio do pacote, na segunda, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse que é "plenamente justiçável" a nova proposta do governo, de congelamento do aumento, porque os profissionais têm estabilidade e rendimentos superiores aos do setor privado, que vive situação de desemprego e redução real de salários.

Os sindicatos criticaram a decisão de eliminar o abono de permanência, benefício pago aos servidores que adquirem o direito de se aposentar, mas que continuam trabalhando. De acordo com dados oficiais, há 101 mil servidores nessa situação, com previsão de 123 mil para os próximos cinco anos. "O Estado abre mão de trabalhadores qualificados e com grande experiência, importantes para manter o mínimo de serviços essenciais em funcionamento", afirmou Silva.

O governo também decidiu congelar os próximos concursos. Para a Condsef, se as medidas forem aprovadas, o Brasil "retrocederá" mais de quinze anos na quantidade de servidores. "Se o serviço público já é insatisfatório, a tendência é ficar pior. As medidas podem provocar um colapso no atendimento à população que depende dos serviços públicos."

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