Setor cresce e enfrenta falta de profissionais

De acordo com entidade, há escassez de integrador, responsável por colocar em funcionamento os sistemas de uma casa

O Estado de S.Paulo

13 Abril 2014 | 02h17

A expansão do mercado se reflete na própria Associação Brasileira de Automação Residencial (Aureside). A entidade era formada por 15 fabricantes em 2009. "Hoje, temos 50 associados", diz o diretor-executivo, José Roberto Muratori. "O número triplicou em cinco anos." Para ele, a tendência do mercado é crescer mais.

Embora o setor esteja avançando para um novo patamar - o da eficiência energética para abater despesas comuns de condomínios -, o mercado de automação para residências em geral é considerado um grande filão.

Existe um "espaço enorme para automação residencial", defende Muratori, citando a possibilidade de serviços envolvendo iluminação, ar-condicionado, integração de câmeras e até irrigação de jardins.

Nesse mercado, o integrador tem um papel importante: é o agente que coloca para funcionar os sistemas na casa do cliente. "Nosso principal projeto dentro da associação são os cursos de formação para integradores", afirma Muratori.

"Quem quiser ter uma casa inteligente, vai precisar chamar um integrador, porque os fabricantes não vendem produtos para o cliente final." O profissional, segundo ele, é a mola mestra desse mercado. "Temos grande déficit de profissionais."

Para enfrentar essa questão, a KNX, associação presente em cerca de 100 países e formada por mais de 300 fabricantes de produtos de automação ao redor do mundo, acaba de abrir seu quarto centro de treinamento em Salvador (BA).

"Quando falamos de integrador há duas cabeças: um cara um pouco mais comercial e outro mais técnico. Todo integrador tem essas duas escalas para começar o negócio. Desenvolvemos a parte técnica do profissional e mostramos alguns cases de como foi o projeto para a pessoa começar", diz o presidente da KNX, Rogério Ribeiro, que é gerente da Schneider Eletric.

Munatori estima que há 60 milhões de residências no País. Usando um "critério conservador", ele diz que 3% desse total já poderia estar automatizado, o que representaria 1,8 milhão. "Hoje, temos apenas 300 mil residências", afirma. "Há 1,5 milhão esperando automação."

O tablet "alavancou" o setor, garante Muratori. "Até um tempo atrás, você precisava de controles remotos caríssimos. Daí surgiram os tablets. As pessoas perceberam que por um décimo do preço podiam ter um controle tão eficaz quanto o anterior e fazer muito mais coisas."

Ribeiro diz que a KNX busca a normatização do mercado brasileiro. "É preciso certificar os produtos e garantir sua interoperabilidade. É preciso haver uma única ferramenta para fazer a instalação. Vários produtos, usando ferramentas diferentes, têm de conversar, senão dificulta o desenvolvimento do mercado", afirma Ribeiro.

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