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Economia

São Paulo

Setor de autopeças prevê mais 8 mil cortes este ano

Em 2015, fornecedoras da indústria automobilística já haviam demitido 29,8 mil pessoas, e empregam hoje o menor contingente em 25 anos

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Cleide Silva, Renato Jakitas,
O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2016 | 08h35

O setor de autopeças, que demitiu 29,8 mil trabalhadores em 2015, prevê pelo menos mais 8,4 mil cortes neste ano, diante das projeções da continuidade de queda das vendas de veículos.

Hoje o setor emprega 164,9 mil pessoas, o menor contingente em 25 anos, de acordo com dados disponíveis no relatório anual do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças).

O investimento das empresas do setor, de US$ 622 milhões, foi 55% inferior ao de 2014 e este ano deve ser ainda menor, US$ 575 milhões. O faturamento nominal recuou 17,7%, para R$ 63,2 bilhões e a perspectiva para 2016 é de estabilidade.

Diversas empresas, especialmente de pequeno porte, são as mais afetadas pela crise. Em São Paulo, a Metalúrgica Cartec, uma das 40 mil fabricantes de autopeças do Estado, informa que em quatro anos seu faturamento encolheu pela metade. “Em 2011, eu produzia por mês 170 mil peças; agora, faço no máximo 90 mil”, diz o presidente, Valter Kwast. O faturamento da empresa, que produz tubos de alta pressão para motores a diesel e componentes de injeção de combustível para caminhões, ônibus e tratores, hoje é de R$ 3,5 milhões por mês, 50% da receita há quatro anos.

A Cartec demitiu 20 funcionários em janeiro, 10% da sua mão de obra. “No ano passado a gente fechou acordo com o sindicato de redução de jornada. Agora, vamos propor trabalhar uma hora mais por dia e dispensar o pessoal cinco horas antes na sexta-feira. A ideia é economizar com uma refeição e reduzir em 5% os gastos com energia.”

Para Joseph Couri, presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria, as perspectivas são sombrias para o setor. “Quando a montadora diz que caiu a produção em quase 30%, o pequeno fabricante de autopeça teve uma redução, na maioria das vezes, maior que isso.”

Reposição. O contraponto para o momento, no entanto, fica para as fabricantes voltadas para o mercado de reposição. “Esse é um mercado que tende a reagir bem sempre que há queda de carros novos, aumentando o interesse nos usados”, afirma Couri. “O problema é que o comércio, aqui, é cheio de distribuidores pequenos. A empresa tem de se acostumar e se adaptar a vender 10 peças para um, 30 para outro e por aí vai.”

Em Guarulhos, o empresário Ancelmo Lopes, que desenvolve linhas para suspensão de automóveis, conta que a procura por seus produtos cresceu cerca de 20% em comparação ao ano passado. “O dólar mais alto fez com que nosso produto ficasse mais barato que o asiático. A situação melhorou”, diz ele, que produziu em janeiro 120 mil peças, ante 80 mil por mês no 1.º semestre de 2015. “Com a situação favorável, investi R$ 1 milhão em uma nova linha”, diz Lopes, que acaba de contratar dez funcionários

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