Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Setor de serviços acumula queda de 2,8% em 2017, aponta IBGE

Em dezembro, o volume de serviços prestados no Brasil registrou aumento de 1,3% ante o mês de novembro; recuperação do setor depende das condições da economia doméstica, afirmam especialistas

Thaís Barcellos e Maria Regina Silva, Broadcast

16 Fevereiro 2018 | 09h09

O volume de serviços prestados no Brasil registrou um aumento de 1,3% em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal divulgada nesta sexta-feira, 16, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa acumulada em todo o ano de 2017, no entanto, ficou negativa em 2,8%, o terceiro ano consecutivo de queda em um setor conhecido por possuir um ritmo mais lento de resposta às mudanças de ciclos econômicos, tanto em momentos de queda, quanto nos de alta da economia.

Exatamente por isso, o volume de serviços fechou o ano de 2017 na contramão da indústria, que encerrou o período com alta de 2,5%, e do varejo, que avançou 2% no ano passado, também segundo o IBGE.

Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves, os dados, apesar de negativos, apontam para uma mudança no humor desse mercado, o que ele considera ainda uma "retomada lenta" da economia. "Esse é o único setor que ainda apresenta cortes em relação aos valores do ano anterior, apesar de caminhar para o fim dessas contrações", ressalta.

Castelli, da GO Associados, explica que o setor de serviços é mais dependente das condições da economia doméstica, enquanto a indústria, por exemplo, também se beneficia de questões externas. "Serviços demoram mais para reagir a ciclos econômicos", afirma.

Os especialistas lembra que em 2014, no início do processo recessivo da economia brasileira, enquanto a produção industrial e o varejo ampliado já mostraram contração, os Serviços só começaram a recuar um ano depois, em 2015.

 

 

 

Resultado por setor. A queda de 2017 reduziu o ritmo na comparação com 2016, quando o volume de serviços fechou negativo em 5,0%, a maior perda já registrada na série histórica, iniciada em 2012.

O resultado de dezembro ajudou a moderar essa retração, uma vez que, com ajuste sazonal, ficou positivo em 1,3%, depois da expansão de 1% em novembro ante outubro.

Entre os segmentos, a categoria de Transportes, mais sensível ao andamento do restante da economia, se destacou positivamente em 2017, com uma alta de 2,3%. 

Além disso, serviços profissionais, administrativos e complementares (0,6%) e Outros serviços (0,7%), sendo que os dois primeiros segmentos avançaram pelo segundo mês consecutivo, também subiram 0,9% e 0,8%, respectivamente, em novembro.

A categoria de serviços prestados às famílias, por sua vez, apresentou um desempenho inferior, com queda de 1,1%. "O setor de Transportes volta a subir impulsionado pela indústria e pela safra recorde em 2017", diz Castelli, da GO Associados.

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