NILTON FUKUDA/ESTADÃO
NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Com déficit de R$ 1,1 bi em 2015, setor público tem primeiro saldo negativo no ano

Resultado do acumulado do ano foi o pior da série histórica, iniciada em 2001; em agosto, as despesas superaram a arrecadação em R$ 7,310 bilhões

Célia Froufe e Victor Martins, O Estado de S. Paulo

30 Setembro 2015 | 10h56

BRASÍLIA - O setor público consolidado (Governo Central, Estados, municípios e estatais, com exceção da Petrobrás e Eletrobras) apresentou déficit primário de R$ 1,105 bilhão (0,03% do Produto Interno Bruto) de janeiro a agosto, segundo o Banco Central. Esse resultado é o primeiro déficit no acumulado do ano em 2015. O resultado do acumulado do ano é bem pior do que o de idêntico período de 2014, quando o superávit somava R$ 10,205 bilhões (0,28% do PIB).

O resultado primário é calculado antes do pagamento de juros, representando uma "geração de caixa" do governo. "O déficit de R$ 1,1 bilhão do ano é o pior resultado no acumulado de janeiro a agosto da série", comparou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel. A série teve início em dezembro de 2001.

O resultado fiscal do período foi composto por um déficit de R$ 14,9 bilhões do Governo Central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência). Os governos regionais (Estados e municípios) contribuíram com superávit de R$ 15,9 bilhões nos oito meses. Enquanto os Estados registraram um ganho de R$ 13,9 bilhões, os municípios tiveram saldo positivo de R$ 2,1 bilhões. Já as empresas estatais registraram déficit primário de R$ 2,2 bilhões.

Em 12 meses, o déficit primário está em R$ 43,8 bilhões, o equivalente a 0,76% do PIB. O maior rombo vem do governo central (R$ 36,9 bilhões, ou 0,64% do PIB). Os governo regionais tiveram perdas de R$ 959 bilhões. Isso porque os Estados tiveram déficit de R$ 4,7 bilhões, mas os municípios registraram saldo positivo de R$ 3,7 bilhões.

Em agosto, o setor público consolidado apresentou déficit primário de R$ 7,3 bilhões, após registrar um rombo de R$ 10 bilhões em julho e de R$ 9,3 bilhões em junho. 

O resultado do mês passado foi praticamente a metade do que o registrado em agosto de 2014, quando houve déficit de R$ 14,5 bilhões. Também foi pouco maior que a mediana deficitária de R$ 7 bilhões, obtida com base nas estimativas de 14 instituições financeiras consultadas pela Agência Estado (déficit primário de R$ 9,1 bilhões a R$ 6,2 bilhões).

O resultado fiscal de agosto foi composto por um déficit de R$ 6,9 bilhões do Governo Central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência). Os governos regionais (Estados e municípios) influenciaram o montante negativamente com R$ 174 milhões no mês. Enquanto os Estados registraram um superávit de R$ 226 milhões, os municípios tiveram déficit de R$ 400 milhões. Já as empresas estatais registraram déficit primário de R$ 202 milhões. 

Pagamento de juros. O setor público consolidado gastou R$ 49,7 bilhões com pagamento de juros em agosto. Houve uma diminuição em relação ao gasto de R$ 62,7 bilhões registrado em julho passado. O saldo, porém, ficou bem maior do que os R$ 17 bilhões vistos em agosto de 2014. 

Com isso, o setor público consolidado registrou um déficit nominal de R$ 57 bilhões em agosto. Em julho, foi registrado déficit de R$ 72,8 bilhões e, em agosto do ano passado, o resultado foi negativo em R$ 31,5 bilhões. 

De janeiro a agosto, o déficit nominal está em R$ 339,431 bilhões ou 8,87% do PIB. Nos 12 meses encerrados em agosto, o déficit nominal está em R$ 528,294 bilhões. Esse valor é equivalente a 9,21% do PIB, o mais elevado da série histórica.

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