Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Governo arrecada menos que o previsto, mas terá receita futura maior com pré-sal

Duas das oito áreas de pré-sal leiloadas nesta sexta-feira não receberam oferta, o que reduziu a arrecadação esperada de R$ 7,7 bi para R$ 6,15 bi; União garantiu, porém, uma participação muito maior que a esperada na produção futura dos campos

Fernanda Nunes e Denise Luna, Reuters

27 Outubro 2017 | 15h15

RIO - O primeiro leilão do pré-sal realizado no governo Michel Temer garantiu ao governo uma arrecadação de R$ 6,15 bilhões. O valor ficou abaixo dos R$ 7,75 bilhões que poderiam ser arrecadados se duas das oito áreas oferecidas não tivessem ficado sem oferta. Mesmo assim, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho, classificou o resultado como um sucesso “estrondoso”.

++A decisão que abriu o caminho para o leilão de R$ 6,5 bilhões do pré-sal

A comemoração de Coelho se deu por conta do ágio médio conseguido na disputa, de mais de 200%. No regime de partilha, usado no leilão desta sexta-feira, 27, o pagamento pelo direito de explorar as áreas é fixo. Ganha a disputa quem se compromete a repassar ao governo uma fatia maior do petróleo produzido, em relação a um porcentual mínimo estabelecido. Ou seja, apesar de nem todas as áreas terem sido leiloadas, a União acabou garantindo uma receita futura maior que a prevista.

“O excedente de petróleo reservado para a União, bem acima do mínimo, vai ter um impacto brutal na arrecadação futura”, disse o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone. A expectativa é que as seis áreas vendidas nesta sexta-feira gerem investimento de mais de R$ 100 bilhões e royalties de cerca de R$ 45 bilhões ao longo do desenvolvimento dos campos, em torno de 30 anos.

Para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a arrecadação abaixo do esperado foi um “processo normal”. “Existem leilões que dão resultado um pouquinho melhor, outros que dão resultado pior. O leilão anterior deu resultado bem melhor do que o esperado, aqueles leilões de hidrelétricas e de petróleo foram melhores em mais de R$ 3 bilhões. Este foi mais de R$ 1 bilhão abaixo do esperado”, disse. “Se nós somarmos o que já foi feito, o saldo é positivo, apesar desse resultado um pouco abaixo do esperado.”

++No Twitter, Temer comemora leilão de pré-sal: 'O Brasil voltou', diz

Disputa. Sem a exigência de a Petrobrás ter uma participação mínima de 30% em todos os blocos (essa foi a regra que valeu no primeiro leilão do pré-sal, em 2013), a disputa desta sexta-feira - oficialmente chamada de 2.ª e 3.ª Rodadas de Licitações - atraiu 14 petroleiras estrangeiras, o que tornou a concorrência muito mais acirrada.

Consórcios liderados pela Petrobrás levaram três das oito áreas. A estatal ficou, por exemplo, com a área do Entorno de Sapinhoá, com o compromisso de que vai entregar 80% do óleo excedente (o que sobra após se retirar os custos de produção e o pagamento de royalties) ao Tesouro, frente ao mínimo de 10,34% definidos em edital. 

Esse dinheiro, no entanto, não vai entrar no caixa antes de 2022, quando deve ser iniciada a produção. Como essa área é uma continuação de outra já concedida à estatal, a empresa possui infraestrutura instalada e, por isso, o custo de produção é menor. “Isso permitiu que a Petrobrás fosse mais ousada”, avaliou o professor do Instituto de Economia da UFRJ e ex-diretor da ANP, Helder Queiroz.

Apesar do destaque da Petrobrás nas duas rodadas, a disputa também foi marcada pela presença das grandes multinacionais. A Exxon, que retornou ao mercado brasileiro no mês passado, no último leilão de pós-sal, voltou às compras e levou a área Norte de Carcará, na Bacia de Santos, ao lado da norueguesa Statoil, operadora do bloco, e da portuguesa Petrogal. A área mais nobre, Peroba, localizada na Bacia de Santos, saiu para a Petrobrás ao lado da inglesa BP Energy e da chinesa CNODC.

“Empresas que não estavam no Brasil voltaram e fizeram apostas. Isso mostra a confiança que têm em nós”, disse Fernando Coelho. A análise do especialista da PUC, Alfredo Renault, é que as empresas participaram porque mudanças regulatórias tornaram o País mais atrativo. “Temos perspectivas de reservas que também ajudam muito. E ficou claro que a Petrobrás não precisa de proteção para ter papel de destaque.” / COLABOROU IDIANA TOMAZELLI

Mais conteúdo sobre:
Pré-sal Shell Exxon Petrobrás

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.