Paulo Lopes/Futura Press
Paulo Lopes/Futura Press

Sindicato dos bancários critica fala de Doria sobre fusão de BB e Caixa

Prefeito de São Paulo defendeu a fusão entre os dois bancos para "formar uma instituição de altíssima qualidade"

Aline Bronzati, Marcelo Osakabe e Leticia Fucuchima, Broadcast

12 Setembro 2017 | 18h46

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região criticou, em nota à imprensa, a afirmação do prefeito de São Paulo, João Doria, de que o País não precisa de dois bancos públicos, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O tucano afirmou hoje, na saída de um evento sobre infraestrutura na América Latina, que a fusão de ambos evitaria "a sobreposição e o uso político também".

"Não vejo razão de o Brasil ter dois bancos. Respeitando as duas instituições, podemos avaliar a hipótese de uma fusão sem gerar desemprego, formando um banco de altíssima qualidade, capacitada a atuar desde os programas de financiamento rural e casa própria até os de empréstimo e financiamento ao empreendedorismo", disse Doria, na ocasião.

Em resposta, o Sindicato que representa os bancários ressaltou, em nota, que a privatização dos bancos públicos não será a ponte para o Brasil sair da crise.

"Pelo contrário. Irá aprofundar a recessão na medida em que enfraquece o mercado interno e a infraestrutura social e econômica que nos fizeram avançar na última década", rebateu a entidade.

O sindicato defende ainda a urgência na criação de alternativas para a saída da crise e que passem pela retomada da expansão do crédito para setores prioritários como moradia popular e agricultura familiar. De acordo com a entidade, os bancos públicos são "exemplo" para a iniciativa privada além de responderem por políticas anticíclicas em momentos de crise.

Para o sindicato, estratégias de governo comprometidas com a população precisam priorizar a atuação dos bancos públicos no financiamento da indústria nacional, aquisição da casa própria, agricultura familiar e infraestrutura. A entidade destaca também o aumento da participação das instituições financeiras oficiais no crédito total, de 36% para 56% de 2008 para 2016, enquanto a dos bancos privados, passou de 64% para 44% no mesmo período.

"Defender os bancos públicos significa, portanto, defender um País melhor, mais desenvolvido, menos desigual, mais justo e mais fortalecido", conclui o Sindicato.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.