Joedson Alves/Reuters
Joedson Alves/Reuters

Situação ficou mais desafiadora após rebaixamento pela S&P, avalia Tombini

Em audiência no Senado, o presidente do BC citou o tripé econômico como eficaz e ressaltou que a economia brasileira precisa continuar 'seu processo de ajuste'

Victor Martins, Célia Froufe e Rachel Gamarski, O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2015 | 12h29

(Texto atualizado às 15h50) 

BRASÍLIA - Em sua primeira fala após a agência de classificação de risco Standard & Poors (S&P) rebaixar a nota de crédito do Brasil, o presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, afirmou que "a situação ficou mais desafiadora após a retirada do grau de investimento pela S&P". O ministro ressaltou que é crucial a necessidade de fortalecimento dos fundamentos econômicos. 

Segundo o presidente do Banco Central, o Brasil precisa evitar a perda do grau de investimento por mais uma agência de classificação de risco. Ele classificou o tema como importante e lembrou que essas agências tiveram erros no passado. Tombini ponderou, no entanto, que olhando para o futuro essa classificação de risco tem repercussão. 

Tombini afirmou que o Brasil precisa olhar para frente. Ele falou sobre o rebaixamento do Brasil pela S&P ao mencionar os erros cometidos pelo governo no passado. "Temos que olhar para frente e ver a implicação disso para o Brasil e ver o que temos que evitar, olhando para frente." Sobre o tripé macroeconômico, Tombini disse achar "que é o modelo ideal para o Brasil no momento".  

O presidente do BC voltou a falar de perseverança e citou o tripé econômico como eficaz e ressaltou que a economia brasileira precisa continuar "seu processo de ajuste". "O momento demanda que economia brasileira continue seu processo de ajuste", disse o presidente da instituição durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. 

Durante a audiência pública, o ministro afirmou que o BC tem que usar seus instrumentos para atingir os objetivos de incumbência do BC. "Temos um arsenal de medidas e não temos preconceito; usamos instrumentos com cautela", disse.  "O Banco Central tem que usar seus instrumentos para atingir os objetivos de incumbência do BC", frisou Tombini. 

A autoridade ponderou que uma dificuldade para a recomposição do colchão fiscal é o nível de arrecadação, que está aquém do ideal. Com a economia em queda, o governo tem pedido receitas. "Arrecadação está boa? Não, não está. Mas isso é reflexo da confiança", disse. "Temos problema fiscal e estamos atacando. O governo anunciou medidas ontem. É suficiente isso?", ponderou sem avaliar se as medidas adotadas até o momento eram suficientes para resolver a crise fiscal. 

Emergentes. Em uma de suas primeiras falas durante a audiência pública, Tombini afirmou que a economia global deve expandir-se a ritmo acima de 3% em 2015. O ministro ressaltou que as economias emergentes passam por um período de ajuste e citou o cenário mundial.  "O quadro externo tem alimentado incertezas sobre o ciclo de alta de juros nos EUA", afirmou. Para o ministro, esse processo "é complexo e acompanhado de certa dose de volatilidade". 

Em relação a países emergentes, como o Brasil, Tombini frisou o impacto da queda do preço das commodities e incertezas relacionadas à China. "Incertezas sobre China, EUA e commodities criam ambiente desafiador para emergentes". Ao mencionar a Ásia, Tombini lembrou os desafios que a China está vivendo. "Na Ásia, em especial, na China, seguem desafios", ponderou. 

Inflação. Tombini disse que a economia brasileira passa por intenso ajuste de alguns preços regulados em relação aos livres. Ele deu como exemplo o preço de energia, que subiram quase 50% em 2015 refletindo custos do setor. "A correção desses preços teve como efeito impacto na inflação do ano corrente. Isso (correção de preços), no entanto, reduziu incertezas que comprometiam horizontes de mais longo prazo", disse o presidente durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Segundo Tombini, outro ajuste pelo qual o País passa é o processo de recomposição do "colchão fiscal". Ele ponderou que o Brasil tem enfrentado esse "desafio" por meio de uma série de medidas que incluem, entre outras, cortes de gastos, redução de subsídios, aumento de tarifas públicas e recomposição de impostos regulatórios. "Tendo em conta que o processo de recuperação dos resultados fiscais tem ocorrido em velocidade inferior à inicialmente prevista, é fundamental que seja mantida determinação para a retomada de resultados primários positivos", argumentou o presidente. 

Ele ainda defendeu que o ajuste fiscal também possui suas próprias defasagens entre a discussão e a adoção das medidas e seus resultados. "Quanto mais tempestiva for a implementação do processo em curso, mais rápida será a retomada de uma trajetória favorável para a dívida pública e para a confiança de famílias e empresas", disse. 

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