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Economia

Emprego

Só o agronegócio se salva

Menos dependente do mercado doméstico, setor gerou 9,8 mil postos de trabalho em 2015; construção e indústria já começaram o ano demitindo

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Tiago Cabral Barreira*

21 Janeiro 2016 | 21h19

O ano de 2015 começou com fortes demissões na construção civil e indústria e encerrou como o pior ano em geração de vagas desde 1992. Entre as causas está o esgotamento do modelo de crescimento via consumo adotado no primeiro mandato de Dilma Rousseff, com o governo forçado a realizar uma política fiscal restritiva, bem como a paralisação de investimentos com a operação Lava Jato. Também contribuiu o clima de incerteza econômica, acompanhada pela crescente inadimplência e pela instabilidade política, evidenciado pelos indicadores de confiança no menor valor em décadas.

Desconsiderada a sazonalidade dos meses, a desvalorização cambial serviu como estímulo à agropecuária em 2015, setor menos dependente do mercado doméstico e voltado à exportação. O setor apresentou a melhor performance no emprego formal, com a geração de 9,8 mil vagas no ano. É um dado excepcional para o setor, que emprega cada vez menos em vista à modernização tecnológica. Também podemos observar fortes demissões nos serviços, sobretudo no segundo semestre de 2015. Uma substituição crescente do trabalho formal por conta própria ocorre neste setor. Por fim, demissões na construção civil começam a desacelerar no último trimestre.

Espera-se um alívio para 2016 com a retomada de parte das obras paralisadas. Dúvidas permanecem quanto ao papel do governo a ser desempenhado em 2016. Sinaliza-se uma retomada moderada no crédito aos bancos públicos. Entretanto, para o contexto atual, mesmo um programa de estímulos ‘light’ é arriscado, com o esgotamento da capacidade de endividamento das famílias. E o compromisso com o ajuste fiscal impõe cautela por parte do governo de medidas salvacionistas sobre o desemprego, que tenderá a seguir em deterioração.

*Consultor em Economia do Trabalho do Ibre/FGV

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