‘Só pago INSS e FGTS de funcionários’, diz empresário

Com a queda nas vendas, o empresário reduziu o número de funcionários: chegou a ter 45 trabalhadores e agora emprega 36 pessoas

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2017 | 05h00

O pequeno empresário Humberto Gonçalves, sócio da Tec Stam Forjaria e Estamparia Ltda. não quer calcular o quanto deve de impostos, entre ICMS, Imposto de Renda, IPI, PIS/Cofins. “Venho arrastando essa dívida desde meados de 2013”, conta. Para o governo, ele explica que está pagando só INSS e o FGTS dos funcionários.

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Essa está sendo a estratégia de Gonçalves para sobreviver na crise. Desde agosto de 2014, as vendas de parafusos e arruelas, elementos de fixação fabricados pela sua empresa, caíram 45%. E esta, segundo ele, é a pior crise desde que ingressou na vida profissional, antes mesmo de ter aberto a empresa em maio de 1993.

Entre pagar um fornecedor, que enfrenta os mesmos problemas que ele e quitar dívidas com governo ou bancos, o pequeno empresário optou por estar com as contas em dia com os fornecedores. “O governo não me dá nada em troca e os bancos só atendem bem que tem dinheiro.” Recentemente, ele conta que a sua empresa foi assaltada e roubaram a fiação de cobre. Ele teve de colocar um segurança particular para fazer a vigilância.

Por causa de o CNPJ da empresa constar na lista de inadimplentes, as portas do sistema financeiro se fecharam para sua companhia. “Não consigo capital de giro. Desconto duplicatas com fundos de investimento e factorings.”

Com a queda nas vendas, o empresário reduziu o número de funcionários: chegou a ter 45 trabalhadores e agora emprega 36 pessoas. Gonçalves diz que hoje, por causa das restrição de crédito, tem limitações. Não pode, por exemplo, investir numa máquina mais eficiente e em cursos de qualificação para os funcionários.

Apesar da fase ruim, Gonçalves diz que as perspectivas melhoraram, mas ainda a mudança está no terreno das expectativas. “Pedidos novos ainda não recebi.” 

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