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Sobram razões para o pessimismo da indústria

Não surpreende que os industriais comecem o ano de 2016 pessimistas com relação aos próximos seis meses, pelo menos.

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26 Janeiro 2016 | 02h55

Todos os parâmetros pelos quais se afere o desempenho da indústria instalada no País foram péssimos em 2015. A Sondagem Industrial há pouco divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que o indicador relativo à produção fechou dezembro em 35,5 pontos, um decréscimo de 5,4 pontos em relação a novembro. O último mês do ano é geralmente fraco para a indústria, mas a queda não foi simplesmente sazonal. Em 2014, o indicador ficou em 38,3 pontos. Como nota a CNI, o dado de dezembro é o menor valor da série mensal iniciada em janeiro de 2010.

O nível de ocupação no setor prossegue em queda livre. Informa o IBGE que o desemprego na indústria recuou 0,4% em novembro. Nos 12 meses findos em novembro, o declínio foi de 5,9% e, em relação ao mesmo mês de 2014, a taxa foi ainda pior (-7,2%). Trata-se do 50.º resultado negativo consecutivo, verificando-se redução de empregos em 17 dos 18 setores pesquisados. A única exceção foi na área de refino de petróleo e produção de etanol (0,7%).

A dispensa de trabalhadores resultou numa diminuição real de 2,2% na folha de pagamento da indústria em novembro, descontados os efeitos sazonais. No confronto entre novembro de 2015 e o mesmo mês de 2014, o valor real da folha caiu 10,6%, taxa superior ao número de dispensas no período, fazendo presumir que tenha havido um decréscimo na média dos salários pagos pela indústria.

A perspectiva de melhoria este ano está na exportação, já que não se espera uma recuperação do mercado interno. De fato, com a desvalorização acelerada do real nos últimos meses, tem havido uma certa reação da exportação de manufaturados (mais 3,7% nas duas primeiras semanas de janeiro, em comparação com o mesmo período de 2015), mas grande parte das indústrias ainda trabalha para restabelecer contatos e abrir mercados no exterior.

Paralelamente, tem havido uma substituição de importações de matérias-primas, partes e peças como fruto de um processo natural dentro das empresas, não como política do governo, o que também tem concorrido para a melhora da balança comercial.

Contudo, apesar desses movimentos, as perspectivas não são animadoras para as indústrias, muitas delas endividadas, numa fase de alto custo do crédito.

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