Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Statoil quer triplicar produção no País e acena com 'bilhões' em aportes

Estatal norueguesa vai pedir a Temer que garanta 'previsibilidade' no regime fiscal; presidente brasileiro visita o país para encontro com investidores

Jamil Chade, enviado especial, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2017 | 06h01

FORNEBU, NORUEGA – A gigante do setor do petróleo, a Statoil, promete “bilhões” em investimentos e quer mais que triplicar sua produção de barris no Brasil até 2030. Para isso, voltará ao mercado para participar de novos leilões, depois de adotar cautela em 2016. Mas a estatal também vai cobrar o governo brasileiro por garantias de previsibilidade e um regime fiscal mais favorável. 

A empresa explicará sua estratégia ao presidente Michel Temer, num encontro previsto para ocorrer em Oslo nesta quinta-feira ao lado de outras doze companhias norueguesas. “Nossa mensagem é que vamos investir no Brasil e no longo prazo. Mas também precisamos de regras transparentes e consistentes, tanto no lado regulatório como no aspecto fiscal“, disse o gerente das operações da Statoil no Brasil, Anders Opedal. 

“A industria inteira espera por isso. Alguns avanços foram feitos. Mas existem aspectos ainda que precisam mudar”, defendeu. Outra reivindicação é a transparência e consistência nos impostos estaduais, além da implementação de um regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens para o setor de petróleo, conhecido como Repetro. 

++ Pré-sal ganha relevância na produção recorde de petróleo

Dados do governo brasileiro indicam que a Statoil já é a segunda maior empresa estrangeira no setor do petróleo no Brasil, superada apenas pela Shell. “Investimos já US$ 10 bilhões e isso terá de aumentar. Vamos investir todos os anos no Brasil pelos próximos tempos. Estamos planejando novos investimentos”, garantiu Opedal. Segundo ele, o volume de dinheiro é da ordem de “bilhões”. “São investimentos enormes”, destacou. 

A companhia acredita que, com as mudanças nas regulações de investimentos do setor de energia, os investimentos tem maiores chances de ter um retorno garantido. Entre as reformas adotadas pelo governo esteve o fim da obrigatoriedade da Petrobrás servir como o único operador do País. “O que vimos é uma mudança, dando acesso a nós como operadores no Pré-sal. Temos muito conhecimento que podemos usar no Pré-sal”, insistiu. 

++ Petrobrás e Statoil vão ampliar parcerias em futuros leilões

Um total de dez leilões deve ocorrer entre 2017 e 2019 no Brasil e Temer adotará um discurso em Oslo de que quer transformar o País num dos principais destinos de investimentos no setor de energia no mundo. A ordem é a de dar um tom de “normalidade” ao governo diante dos empresários. 

No caso da Statoil, o investimento feito nos últimos 16 anos permitiu operar o campo de Peregrino, seu maior projeto no Brasil. Com 60% de participação nessa exploração, a empresa consegue até 54 mil barris por dia. 

A Statoil também vai avançar na compra de Carcará, depois que pendências em tribunais foram superadas, além de tentar ser o único operador em toda a região da Bacia de Santos. “Temos a ambição de ser o único operador”, confirmou o responsável da estatal no Brasil. 

Até o leilão de outubro, ela avalia como usar a licença para o bloco BMC-33, na Bacia de Campos. O local teria uma capacidade de 1 bilhão de barris. 

Outra aposta da empresa é a nova fase de desenvolvimento do campo de Peregrino, com uma reserva estimada de 250 milhões de barris. A esperança da empresa é de que uma terceira plataforma esteja em uso até 2020. 

Na avaliação dos noruegueses, nem mesmo a crise aberta pelas denúncias de corrupção deve afastar a empresa do País. “A Operação Lava Jato é algo positivo. O que o Brasil fez de colocar isso sobre a mesa é muito bom. Muitos países não fazem isso. É uma fortaleza do Brasil, que terá uma economia mais forte no futuro. Será mais atraente aos investidores”, insistiu Opedal. 

No momento, ele admite que os escândalos podem “gerar ruídos”. “Mas, no longo prazo, está criando um ambiente melhor para os negócios, inclusive no setor do petróleo. Se a Lava Jato tiver sucesso, será um prêmio para o Brasil”, completou. 

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