Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Taxa de desemprego fica em 13,6%

No trimestre encerrado em abril, País tinha 14,048 milhões de desempregados, número pouco menor do que o do trimestre fechado em março

Daniela Amorim e Maria Regina Silva, O Estado de S.Paulo

31 Maio 2017 | 09h09

RIO e SÃO PAULO - A taxa de desemprego no País alcançou 13,6% no trimestre encerrado em abril, o pior desempenho para essa época do ano dentro da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda assim, o resultado indica uma estabilização da taxa em relação ao período anterior.

Houve corte de vagas, aumento na fila de desempregados, eliminação de postos formais de trabalho. Mas o resultado foi um pouco melhor do que a média das expectativas de analistas do mercado financeiro, que previam uma taxa de desocupação de 13,9%, segundo o serviço Projeções Broadcast.

Em abril, a população desocupada teve ligeiro recuo em relação a março: 14,048 milhões ante 14,176 milhões. A população ocupada cresceu de 88,947 milhões para 89,238 milhões. A taxa de desemprego saiu de 13,7% para 13,6%, a primeira redução desde outubro de 2014. No entanto, dois terços das informações levadas em consideração são repetidas, o que impede que os dados sejam comparáveis, alertou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

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“O mercado de trabalho está demitindo menos. A procura por trabalho continua crescendo, mas em intensidade menor. O mercado reage de alguma forma a efeitos externos, tanto macroeconômicos quanto políticos. Só que a pesquisa reflete abril. Você tem um mês de maio com crise política, com efeitos que podem afetar o cenário econômico e podem afetar o mercado de trabalho”, ressaltou Azeredo, referindo-se à turbulência desencadeada pela divulgação em 17 de maio da delação do empresário Joesley Batista, um dos sócios da JBS.

O ligeiro arrefecimento na taxa de desemprego pode ser pontual, já que não reflete a deterioração recente na política, concorda o economista-chefe da Lopes Filho & Associados, Julio Hegedus Netto. “Não se sabe o que irá acontecer em relação ao governo do presidente Michel Temer. Esse terremoto paralisou o País”, disse.

O economista-chefe da Lopes Filho ressalta que o nível de confiança pode voltar a piorar e atingir a estimativa de retomada do mercado de trabalho. “Claro que a crise tende a afetar a decisão das empresas e dos consumidores em gastar. Há uma capacidade ociosa muito elevada”, afirma Netto, acrescentando que novas contratações podem ficar comprometidas.

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Em apenas um trimestre, o País ganhou mais 1,127 milhão de desempregados, enquanto viu fechar 615 mil postos de trabalho. Também houve extinção de 572 mil vagas com carteira assinada. “Em três anos, o Brasil perdeu 3,5 milhões de empregos, sendo 96% deles com carteira assinada”, lembrou Azeredo.

Houve reação da indústria no período, com 204 mil empregos gerados, mas o IBGE acredita que possa ser um movimento pontual, que precisa ser acompanhado com cautela.

O economista Cosmo Donato, da LCA Consultores, acredita que a deterioração no mercado de trabalho continue este ano e se prolongue até meados de 2018. “A melhora da atividade econômica deve demorar um longo tempo até se refletir substancialmente sobre o mercado de trabalho”, previu Donato, que espera um desemprego médio de 13,6% em 2017.

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