ALEX SILVA / ESTADÃO
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'Taxas de juros para famílias e empresas já começaram a cair', diz Ilan Goldfajn

Presidente do Banco Central também acredita que o Brasil poder ter um ritmo de crescimento de 2,5% em 2018

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2017 | 16h44

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse nesta terça-feira, 31, durante audiência pública da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), que as taxas de juros cobradas de famílias e empresas já começam a cair no Brasil.

Segundo ele, os juros no crédito livre caíram mais que a Selic (a taxa básica de juros), sendo que elas recuaram mais para as famílias que para as empresas. Goldfajn afirmou ainda que o spread - a diferença entre o custo de captação dos bancos e o que é efetivamente cobrado do cliente - também caiu. "O processo de queda de juros e de spreads começou", disse.

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"As taxas de juros bancárias, medidas pelo Indicador de Custo de Crédito (ICC), seguem em queda e se encontram em 27% ao ano para as famílias e 16% ao ano para as empresas. Em paralelo às quedas nas taxas, o crédito às famílias vem aumentando", pontuou.

"Ao longo de 2017, houve crescimento de 2,4% no volume concedido a pessoas físicas com recursos livres, que totalizou R$ 828 bilhões em setembro de 2017. Nesse ambiente, a taxa média do segmento recuou quase 15 pontos porcentuais em 12 meses, acompanhada por uma redução de quase 11 pontos porcentuais no spread."

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O presidente do Banco Central também afirmou que, com um ritmo de crescimento de 2,5% em 2018, é possível chegar em pouco tempo ao PIB equivalente ao de 2014, último ano antes da recessão.

“E é possível tentar crescer mais de 2,5% no próximo ano”, disse. Ele negou que o crescimento atual da economia seja uma “bolha”, mas ressaltou que o aumento do consumo tem que ser acompanhado pelo crescimento do investimento.

Ilan Goldfajn defendeu ainda, durante audiência pública da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), que a política monetária tem controlado a inflação e permitido o crescimento econômico.

"De fato, o presente processo de flexibilização monetária tem levado à queda das taxas de juros reais (juros nominais menos inflação) e tende a estimular a economia. Essas taxas, estimadas usando várias medidas, se encontram entre 2,5% e 3,1%, valores próximos aos mínimos históricos", afirmou Goldfajn.

Durante sua fala, Goldfajn também repetiu ideias incluídas na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na manhã desta terça-feira.

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Na semana passada, o colegiado cortou a Selic (a taxa básica de juros) em 0,75 ponto porcentual, de 8,25% para 7,50% ao ano. "Houve consenso do Copom em manter a liberdade de ação para o ano que vem", pontuou.

Na prática, Goldfafjn, assim como a ata, deixou a porta aberta para o BC continuar a reduzir a Selic em 2018, ou para encerrar o atual ciclo de cortes ainda em dezembro.

O presidente do BC repetiu ainda que a conjuntura atual prescreve uma política monetária estimulativa, com juros abaixo da taxa estrutural - aquele em que, em tese, há crescimento econômico sem gerar inflação.

"É preciso que a taxa estrutural caia para que os juros atuais não precisem subir no futuro", disse Goldfajn.

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