Taxas de mercado ainda frustram a expectativa

Para facilitar as operações, alguns bancos chegaram até a eliminar o crédito rotativo, instituindo um sistema pelo qual o cliente do cartão poderá pagar o total da fatura no vencimento mediante a obtenção de um crédito parcelado

O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2017 | 03h00

Ao constatar que os juros cobrados no crédito rotativo do cartão de crédito mantinham-se em nível elevadíssimo, tendo sido de 441,8% ao ano ou de 15,12% ao mês em janeiro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu naquele mês, para vigorar a partir de abril, estabelecer um prazo de 30 dias para esse tipo de crédito. Depois disso, as instituições financeiras foram obrigadas a oferecer uma linha de crédito mais barata aos clientes que liquidassem 15% (pagamento mínimo) ou mais de suas faturas. Seis meses depois, apesar das sucessivas quedas da taxa básica de juros (Selic), o que se verifica é que, embora os juros tenham diminuído com essa mudança, não caíram à metade, como era a expectativa.

Levantamento feito pela plataforma de empréstimos GuiaBolso mostra que, de abril a setembro, o valor pago de juros pelos seus 524 mil mutuários foi de R$ 30,38 por mês, enquanto, nos seis meses anteriores, essa parcela era de R$ 51,67, em média. A medida do CMN também não provocou uma queda da taxa de inadimplência nessa modalidade de crédito, que é de 39,2%, segundo o Banco Central (BC).

Para facilitar as operações, alguns bancos chegaram até a eliminar o crédito rotativo, instituindo um sistema pelo qual o cliente do cartão poderá pagar o total da fatura no vencimento mediante a obtenção de um crédito parcelado. Por meio de plataformas de empréstimo o consumidor também pode levantar recursos para atender às suas dívidas no cartão. Outras instituições promoveram campanhas para “limpar o nome” de devedores em atraso.

O problema naturalmente é que, estando o desemprego num patamar tão elevado, muitas pessoas não têm meios de cumprir seus compromissos financeiros, limitando suas despesas a produtos básicos, barateados pelo acentuado declínio da inflação.

As taxas de juro variam, claro, de instituição para instituição. Pode-se dizer, porém, que há um descompasso entre as taxas de mercado, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas, e o ritmo de redução da taxa básica de juros, que tem sido mais acelerado. Basta dizer que, de acordo com o Boletim Focus, que apresenta a mediana das projeções dos economistas, previa-se, em janeiro, uma taxa Selic de 9,5% em 2017. Agora, segundo o último Focus, a projeção é de 7% ao fim de dezembro.

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