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Telefônica prevê sinergia de € 4,7 bilhões com a compra da GVT

O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2014 | 02h 04

Segundo tele espanhola, operação deve ser rentável já no primeiro ano e o acordo definitivo entre as partes deve ser fechado em 2015

A Telefônica, controladora da Vivo, afirmou ontem que espera sinergias de 4,7 bilhões com a compra da operadora de banda larga GVT e a integração da filial brasileira da Vivendi a seus negócios no Brasil. Em fato relevante, a tele espanhola detalhou que a operação deverá ser rentável desde o primeiro ano de integração e que a assinatura de um acordo definitivo entre as partes está prevista para meados de 2015.

Do total esperado de sinergias, 3,2 bilhões virão de menores gastos e investimentos e o restante de melhoras fiscais e economias financeiras.

Na quarta-feira, a tele espanhola aumentou sua aposta e fez uma oferta de 7,45 bilhões (US$ 9,82 bilhões) pela GVT, com parte do pagamento em dinheiro - 4,66 bilhões - e o restante em ações da Telefônica Brasil (12%) ou a troca de 4,5% em papéis da empresa brasileira por participação votante na Telecom Itália (8,3%).

Na quinta-feira, o conselho da francesa Vivendi decidiu iniciar negociações exclusivas com a Telefônica, rechaçando a proposta de 7 bilhões da Telecom Itália, controladora da TIM.

De acordo com o cronograma da tele espanhola, a próxima etapa será a avaliação do conselho dos trabalhadores franceses, que vai ocorrer entre setembro e outubro deste ano.

O plano inicial, caso o negócio seja concretizado, é manter a GVT como unidade separada. Vivo e GVT, no entanto, desenvolverão em conjunto o negócio de TV por assinatura, para eliminar investimentos duplicados e aprimorar o serviço com portfólios diversificados.

Atualmente, a Telefônica Brasil prevê um crescimento de suas receitas de 1,6% no período entre 2014 e 2016. Com a transação, a GVT adicionaria um crescimento incremental de 1,2%, resultando em uma previsão de crescimento final de 3,2%, uma alta de 100%.

Cade. Ao mesmo tempo em que o grupo espanhol negocia a compra da GVT, a companhia dá novos passos para reduzir sua fatia na Telecom Itália e diminuir a pressão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O órgão antitruste estabeleceu que o grupo espanhol não pode ficar com 100% do capital da Telefônica Brasil, que é dona da Vivo, sem se desfazer da participação indireta que detém na TIM. A Telefônica é acionista majoritária da Telco, que por sua vez é controladora da Telecom Itália, dona da TIM Brasil.

"As propostas não mudaram quase nada. Só a facilidade de que, se a Vivendi quiser, poderá adquirir em dinheiro ou simplesmente trocar as ações da Telefônica Brasil pelas da Telecom Itália", disse ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, Adriana Pallis, sócia da área de Fusões e Aquisições do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados, que assessora a companhia espanhola no caso.

"A Telefônica vai sair, já tinha anunciado que sairá da Telecom Itália. E viu essa oportunidade em um interesse da própria Vivendi", afirmou Adriana.

As ações preferenciais da Vivo lideraram ontem a lista das maiores altas da BM&FBovespa, com avanço de 9,07%. / EDGAR MACIEL E CIRCE BONATELLI

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