Teles reduzirão perdas com inadimplência

A inadimplência deve deixar de ser a sombra do setor de telecomunicações no ano que vem. A preocupação com esse indicador nublou o desempenho das companhias ao longo deste ano e preocupou os investidores. Analistas e diretores de empresas afirmaram que a elevação das perdas ao longo de 2001 fez parte do processo de expansão, mas que elas retornaram a níveis administráveis. Para eles, o indicador vai mostrar redução gradual em 2002 e chegar a um nível bastante confortável em 2003, quando a inadimplência deve ficar abaixo de 3% da receita bruta. Hoje, em alguns casos, ela supera 10%. De acordo com os especialistas, as companhias de telefonia estão fazendo a lição de casa. O presidente da Brasil Telecom, Henrique Neves, explicou que não existe uma medida única para resolver o assunto. Ele afirmou que é importante ter uma rede eficiente de cobrança, incluindo soluções como parcelamento de débitos e desconexão da linha quando necessário. Os analistas explicaram que o vilão das provisões para devedores duvidosos (PDD) - denominação utilizada pelas empresas para descrever as perdas com inadimplentes - foi a velocidade de expansão, principalmente na telefonia fixa. Nesse processo, a corrida para antecipação das metas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foi determinante. Segundo eles, o crescimento muito rápido levou à atuação em mercados de classes com renda mais baixa, causando essa explosão. A Brasil Telecom optou por não adiantar as metas e conseguiu controlar melhor as provisões. No terceiro trimestre, a PDD da Brasil Telecom representava 2,8% da receita bruta, ante 3,2% no final de junho. A Telemar sofreu o efeito oposto. Para antecipar as exigências da agência reguladora, as perdas da operadora encerraram setembro em 10,6% da receita bruta, depois de um ajuste que tornou os critérios mais rigorosos. No final do segundo trimestre, a provisão era de 6%. O analista do Unibanco Edigimar Maximiliano lembrou que as companhias que decidiram apostar no Brasil já deviam contar com esse desafio. Para ele, nos níveis atuais, as perdas já não preocupam mais, pois as telefônicas são grandes geradoras de caixa. "A provisão de hoje não deve condenar o negócio de ninguém." Apesar das fixas estarem no caminho certo, Constatini explicou que as celulares estão mais avançadas. Nesse segmento, as perdas com inadimplência já estão em média em 3% do faturamento bruto.

Agencia Estado,

05 Dezembro 2001 | 10h45

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