Andre Dusek/Estadão
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Temer afirma que governo tinha votos até para uma reforma previdenciária mais dura

Mesmo sem as alterações, o presidente afirmou que deixará o governo com a marca de 'reformista'

Daniel Weterman e Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2018 | 19h12

Com a tramitação da reforma da Previdência suspensa, o presidente Michel Temer apontou a apresentação de duas denúncias contra ele, no ano passado, como a origem do cenário que impossibilitou o andamento da proposta no Congresso Nacional. 

"Naquela época tínhamos votos necessários para votar uma reforma até mais dura, que duraria mais tempo", disse, em entrevista à rádio Jovem Pan. Para o presidente, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e os delatores da JBS criaram problemas para o País.

Mesmo sem a reforma, o presidente afirmou que deixará o governo com a marca de "reformista" e que pensa ser possível executar a privatização da Eletrobrás durante sua gestão. "Eu não eliminei a Previdência ainda, é claro que dá para imprimir a marca."

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Denúncias. O presidente classificou novamente as denúncias contra ele como "pífias" e repetiu que o esquema "veio à luz", pois há delatores presos e "quem não está preso está desmoralizado." Ele disse que "houve equívocos" nos acordos de colaboração e, por causa disso, chegaram a ser anulados. 

Temer defendeu que é preciso "reinstitucionalizar" o Brasil após as delações premiadas contra ele. "O País está perdendo um pouco as suas instituições mais verdadeiras e leais."

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Perguntado sobre se o discurso não legitimava a tese do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se diz vítima de uma perseguição política, ele respondeu que estava "fazendo uma consideração de natureza política, e não jurídica".

Presidentes. Na entrevista, Temer evitou apontar quem foi o melhor e o pior presidente do País. Ele disse que, após o período de redemocratização, cada um fez sua parte. As críticas foram direcionadas à ex-presidente Dilma Rousseff. O presidente afirmou que, como vice, não era ouvido pela petista e era um "vice decorativo". Temer disse ainda que o governo Dilma se preocupou com a área social, mas foi um "desastre" na área econômica. 

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